Esclarecimento sobre declarações do Deputado José Ávila na Rádio Graciosa:
Ouvi na Rádio Graciosa o Sr. Deputado José Ávila falar sobre os assuntos tratados no Conselho de Ilha.
Nas suas declarações, o Sr. Deputado deu a entender que fui apenas eu que mostrei preocupação relativamente à questão de reabertura da casa mortuária e ao excessivo tempo que demoram as autópsias a serem realizadas na Graciosa.
De facto, fui eu quem levantei essas questões. No entanto, convém esclarecer que o Conselho de ilha deliberou, por unanimidade, diligenciar ao centro de saúde para que reabra rapidamente a casa mortuária. Deliberou ainda diligenciar junto do Governo para que seja construída uma casa mortuária na freguesia de Santa Cruz.
Quanto à questão da demora em realizar autópsias o Conselho de Ilha deliberou, também por unanimidade, diligenciar junto do Governo Regional e junto do Representante da República nos Açores para que as situações verificadas não se repitam.
Enquanto deputado, eu próprio só posso fazer os possíveis para que os assuntos importantes para a população Graciosense sejam discutidos. Foi com esse intuito quer levei estas preocupações ao Conselho de Ilha, sem me preocupar com as habituais politiquices. O Conselho de Ilha achou por bem adoptar as preocupações que ali levei e assim parece-me que cumpri com a minha obrigação.
Porque é importante que os políticos digam a verdade, tenho a lamentar que o Sr. Deputado José Ávila tenha querido fazer passar uma mensagem que não retratava o que se passou no Conselho de Ilha, esquecendo as legítimas deliberações daquele órgão.
Penso que assim fica reposta a verdade.
Estas são as declarações:
Na ilha Graciosa faz falta discutir o futuro, propor alternativas, opinar, ouvir, exigir e procurar alcançar o bem comum. Este espaço pretende dar um contributo. Não teremos sempre razão nem seremos donos da verdade, queremos apenas ser uma pedra no sapato da inércia, da falta de visão e imaginação, do imobilismo estratégico e da cultura do "yes man". Temos uma tarefa difícil, temos de partir muita pedra mas não nos importamos, o burgalhau é sempre útil!
terça-feira, junho 08, 2010
Navios e Cavalheiros
Muitos ainda se lembram de ver Carlos César, de forma solene e com ar compungido, apelar a que os Açorianos denunciassem situações menos claras e que se queixassem de quem, exercendo cargos políticos, não tratasse da função com verdadeiro sentido de serviço público.
Muitos recordam o tom teatral que imprimiu na sua declaração, interpretando o papel do Presidente desassossegado porém expedito.
Recentemente foi notícia, nada abonatória para quem exerce cargos públicos, que no negócio de construção dos navios "Atlântida" e "Anticiclone" terá existido um "acordo de cavalheiros" para que, depois do negócio fechado, houvesse lugar a aditamentos que elevassem o preço da construção, tornando-o "razoável" para o construtor, que havia apresentado propostas manifestamente baixas.
Este "acordo de cavalheiros" é profusamente referido por vários responsáveis dos Estaleiros de Viana do Castelo como tendo surgido aquando da negociação com a Região.
E para avolumar de tudo o que é dito para justificar um "acordo de cavalheiros" surge a decisão, apenas 21 dias depois de assinado o negócio, de efectuar um primeiro aditamento ao navio "Atlântida". Aditamento esse assinado dois meses mais tarde!
Estranhamente, aquele preocupado e magnânimo Presidente do Governo ainda não proferiu uma única palavra sobre esta situação, que, a par da recusa de alguns titulares de cargos públicos em comparecer perante a Comissão de Inquérito ao respectivo negócio, atira todo este negócio para um conjunto de dúvidas insustentáveis em democracia e inadmissíveis num quadro de responsabilidade e de prestação de contas sobre o que, de verdade, se passou.
De um lado há quem, repetidas vezes, alegue acordos não escritos para caracterizar um negócio que, mesmo com a eventual venda do "Atlântida" a um qualquer governo latino-americano por 35 milhões de euros, implicará prejuízos directos de mais de 15 milhões de euros. Do outro lado há um silêncio absoluto sobre os estranhos contornos de tudo isto.
Mas se César nada disse sobre esta situação e este suposto acordo à porta fechada, menos ainda disseram os restantes responsáveis do Partido Socialista.
O PS, que ouviu o seu líder apelar ao reporte de tudo o que seja menos claro ou pouco profissional, fica calado perante alegações de um negócio feito nas costas dos Açorianos e que até leva a Região a pagar, anualmente, 6 milhões de euros pelo fretamento de Navios.
Pelo meio da fuga em abordar o assunto, procuram-se distracções com passivos camarários, invocando números mas escondendo a realidade .
Impõe-se que a verdade se saiba, custe o que custar, doa a quem doer!
Publicado no Diário Insular & Rádio Graciosa 08/06/2010
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