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quarta-feira, outubro 22, 2014

Opinião: Afinal quem é que manda?





Opinião: Pergunte se faz favor



Ouvi, sem grande espanto atendendo ao mensageiro, o líder parlamentar do PS Açores a apelidar de vazias um conjunto de propostas apresentadas pelo PSD Açores no parlamento regional. Tendo sido essas propostas resultado de contactos com muitos açorianos e muitas instituições, deixo ao sr. Berto os seguintes desafios: Pergunte a uma mãe, com filhas gémeas, ambas com necessidades educativas especiais e com patologias diferentes, se a proposta para o aumento da idade no âmbito da intervenção precoce não faz diferença no diagnóstico, acompanhamento e estratégias de actuação transdisciplinar, ou se a proposta de actuação na adequação e intervenção dedicada dos técnicos no âmbito dessa intervenção precoce, possibilitando que ao nível concelhio se possa actuar por forma a criar efectivas estratégias e modelos de intervenção individualizados em contexto e ambiente escolar ajuda ou não no propósito de melhor responder às necessidades educativas das suas crianças.
Pergunte, também, às escolas e a quem trabalha com as necessidades educativas especiais, se os técnicos em falta nas nossas escolas não são imprescindíveis para concretizar uma escola inclusiva, em que não se esconde a diferença mas onde se partilha e aprende com cada individualidade. Ou pergunte aos técnicos formados em terapia da fala, terapia ocupacional, fisioterapia e outras especialidades em falta, mas que estão no desemprego na nossa região, se o investimento nos seus conhecimentos a favor da comunidade faz ou não sentido.
Ou pergunte a uma IPSS se consegue fazer face às necessidades dos seus destinatários do apoio domiciliário, de segunda a sábado, deixando de fora da equação da prestação social os domingos e os feriados, ou ao idoso que recebe esse apoio domiciliário se é relevante este ser prestado da forma que é proposta, sete dias por semana.
Ou pergunte a outra IPSS, que actua em todo o seu concelho, se os gastos da sua congénere, que recentemente iniciou actividade e não tem o mesmo volume de despesa em termos salariais ou de custos de funcionamento, são comparáveis ao custo cliente, suportado para prestar o mesmo apoio social, com a qualidade que é exigível na prestação contratada, apesar de ambas prestarem um serviço social necessário e adequado.
Pergunte, ainda, àquelas famílias monoparentais, em que não existe qualquer rendimento, por desemprego ou inactividade, se não faz diferença poder mais rapidamente por termo à inactividade, beneficiando de um olhar prioritário no acesso a programas de apoio ao emprego ou à reconversão e valorização profissional.
E pergunte aos beneficiários dos apoios sociais, ou aos açorianos que vivem mais carenciados, se não é muito mais adequado que exista no terreno uma rede social, que partilhe e canalize informação, melhor respondendo a quem mais necessita, evitando que quem já passa por dificuldades tenha de andar de porta em porta, procurando o lugar certo para atender à carência que urge resolver e assistindo ao dispersar das respostas sociais ou ao mau aproveitamento dos recursos.
São estes açorianos, pessoas concretas que sofrem pelo tempo de dificuldade que se vive na região, com os piores indicadores sociais do país, onde é mais premente saber dirigir uma atenção especial a quem mais necessita.
Não tenho esperança nem que o sr. Berto faça as perguntas, nem que saiba as respostas, mas mantenho alguma esperança que no partido do sr. Berto impere o bom senso na implementação destas medidas.

(Rádio Graciosa, Diário Insular, Açoriano Oriental)



Opinião: Agir social



O PSD Açores apresentou, no parlamento regional, um conjunto de propostas na área social e que transcrevo sucintamente:
1.              Criação de uma rede social regional, ao nível de freguesia, reforçando a articulação entre as instituições que se dedicam ao apoio social. Agir localmente é a melhor forma de responder com eficácia aos problemas. Funcionando em rede, todas as instituições que se dedicam ao apoio social numa freguesia conseguem maximizar os seus recursos e, até, evitar algumas injustiças que por vezes são cometidas devido a problemas de coordenação. Esta é uma solução que confere maior eficácia na resolução dos problemas sociais, sem dispersão de recursos, dirigindo melhor os mesmos a quem necessita, protegendo, assim, os mais frágeis e carenciados.
2.              Alargamento do apoio domiciliário a idosos aos domingos e feriados. Nos Açores 15 mil idosos com mais de 65 anos vivem sós ou com outro idoso com mais de 65 anos. Destes, 3100 são idosos com mais de 75 anos que vivem sós. Muitos necessitam de apoio domiciliário. No entanto, esse apoio não é contratualizado aos domingos e feriados o que cria dificuldades desnecessárias. Esta situação pode ser alterada e é fácil de alterar, uma vez que estamos a falar de açorianos que precisam de apoio todos os dias.
3.              Alteração do Regime Jurídico da Educação Especial e do Apoio Educativo de forma a aumentar para os seis anos o regime de intervenção precoce. Aqui propõe-se alterações que consideramos essenciais, desde logo o alargamento da idade máxima de intervenção precoce dos 3 para os 6 anos. Pensa-se ser esta uma medida necessária e de grande utilidade para melhor conseguir identificar e acompanhar as crianças que chegam à escola a necessitar de apoio especial num período de transição e numa idade em que certas necessidades especiais são detectadas.
4.              Reforço das equipas transdisciplinares e dos seus horários. Quer na intervenção precoce quer junto da comunidade escolar, por um lado permitindo dedicação dos técnicos destacados para estas equipas, por outro, sendo dada permissão de contratação pelas escolas do número de técnicos necessários, tal como está previsto na legislação em vigor em áreas como terapia da fala ou ocupacional, fisioterapia, treino da visão, da orientação e mobilidade, da actividade motora adaptada, da psicomotricidade, dos sistemas aumentativos de comunicação, etc.  
5.              Introdução de algumas majorações no financiamento das Instituições Particulares de Solidariedade. Estas instituições desempenham um papel decisivo na situação de emergência social que os açorianos enfrentam e muitas delas encontram-se em absoluta asfixia financeira, tendo em conta a realidade do serviço prestado. O valor padrão definido para muitas valências deve ter em conta factores diferenciadores das instituições, como o tipo de património ou os quadros de pessoal, entre outras realidades que não podem deixar de ser atendidas em benefício de cerca de 25 mil utentes.
6.              Garantia aos desempregados que constituam agregados familiares monoparentais prioridade no seu encaminhamento nas Agências de Emprego da Região, em condições de igualdade com a prioridade que é assegurada aos agregados familiares em que ambos os cônjuges estão desempregados. É uma realidade emergente na sociedade açoriana a que o PSD Açores não poderia ficar indiferente.
São propostas que admitem melhorias e aperfeiçoamentos e que, sobretudo, merecem ser aplicadas em benefício dos Açorianos.
(Rádio Graciosa, Diário Insular, Açoriano Oriental)


quarta-feira, outubro 01, 2014

Opinião: Faz-de-conta

Quando dei por mim a ler que o governo dos Açores, tendo por mensageiro Sérgio Ávila, tinha aumentado o salário mínimo regional para mais de 530 euros pensei que não lia notícias há muito tempo pois nem sabia que estava a ser negociado nos Açores um aumento do salário mínimo regional.
Foi então que percebi, pela notícia seguinte, quem tinha assinado um acordo para um aumento do salário mínimo nacional, congelado por Sócrates em 2011 e negociado e aumentado agora, três meses depois da TROIKA sair de Portugal.
Quem, afinal, estava na fotografia do aumento do salário mínimo não era, para meu espanto, nem o Vice Regional, nem os parceiros sociais regionais, nem sequer uma sombra do Presidente Vasco.
Julgava eu, por manifesta ingenuidade, que se era anedótico uma nota do gabinete de Sérgio Ávila, a dizer que tinha feito uma coisa que não fez, parecia surreal que se fizesse ressonância, com carimbo de "informação", de uma despudorada e ostensiva falsidade política!
Se o salário mínimo aumentou nos Açores para 530,25 € em nada, nem sequer um pingo de suor ou uma ligeira calosidade, se deveu a Sérgio Ávila ou ao PS de Sérgio Ávila ou ao Governo de Cordeiro e Ávila!
O aumento do salário mínimo é resultado, em primeiro lugar, do esforço dos Portugueses em livrar-se do protectorado da TROIKA com a constante guerrilha socialista, com tanto de despudorada como de irresponsável. Depois é responsabilidade dos parceiros sociais que, com o Governo PSD/CDS negociaram um aumento consequente com as melhorias e capacidades da economia.
Se era para começar a sentir alguma melhoria depois de sair a TROIKA de Portugal, pois que seja este o sinal de por onde começar a devolver a dignidade hipotecada pelos desvarios socialistas nos governos do país!
Para descobrir e divulgar que o aumento do salário mínimo regional tem alguma mãozinha socialista dos Açores era preciso descobrir um emplastro na fotografia do acordo de concertação social, assinado no seio do Conselho Económico e Social de Portugal. E mesmo assim, só por pura distracção jornalística podemos dar ao emplastro alguma tarefa para a qual não revelou qualquer competência!
E mesmo que por verdade histórica se tivesse de atribuir alguma paternidade ou mérito por existir um acréscimo regional ao salário mínimo, seria o PCP a acotovelar para se chegar à frente. Mas nem mesmo o PCP, transvestido ou não de CGTP, foi capaz de ter algum papel no aumento do salário mínimo regional para 530,25 €.
Afinal basta uma alucinação governamental própria de quem continua a ver um oásis onde cresce a pobreza e a exclusão social para perceber que até acham perfeitamente normal que se transforme uma delegação da Assembleia Regional em assembleia de voto de um partido político.
Vivemos num permanente faz-de-conta! E agora fizeram de conta que assinavam um acordo para aumentar o salário mínimo regional.

quarta-feira, agosto 27, 2014

Opinião: Um refúgio no RSI



Os números divulgados para o mês de Julho de beneficiários do RSI vieram novamente dar destaque aos Açores, com uma nova subida, e, novamente, com mais de 18 mil Açorianos a necessitar de um apoio para poderem minorar os efeitos da sua condição de pobreza.

Os Açores assumem-se, por mais uma vez, como a região do país onde o RSI se revela mais importante para combater a precariedade e as dificuldades por que passam muitas famílias.
À frente do distrito de Setúbal, que apesar dos seus mais de 800 mil habitantes e de tradicionalmente ser a terceira região do país com mais beneficiários do RSI mas que desde há alguns meses foi ultrapassada pelos Açores, logo a seguir ao Porto e Lisboa, e mesmo com o maior rigor nos critérios de atribuição daquele apoio social, a região há mais tempo governada por maiorias socialistas continua a revelar toda a fragilidade do seu tecido económico e social que não obteve condições para sair de um ciclo vicioso de pobreza.
O RSI continua assim, e, actuamente com maior rigor, a ser o refúgio de muitos açorianos a quem, ora porque acabou o subsídio de desemprego, ora porque continua à espera de um primeiro emprego, ora porque, simplesmente, não se afigurou outra forma de ir levando os dias, muitas vezes atrás de um natural mas, repetidas vezes, complexo pensamento: o de alimentar os filhos!
Em torno desta incapacidade de largar a rotina de pobreza, à qual são sujeitos muitos açorianos, está a forma como se tem levado pela frente o combate às desigualdades, muitas vezes mais motivado pelo retorno da solidariedade, quase sempre em forma de voto, e nem sempre olhando nos olhos de quem leva a vida de mão estendida porque faltam as oportunidades.
Em tempos, não muito longínquos se atendermos ao ciclo socialista regional, festejava-se o RSI. Como se se tratasse de um motivo de celebração a caridade de dar um pouco a quem nada tem e ainda exigir uma espécie de gratidão pela suposta bondade!
Para além de que era festa feita à custa de apoio alheio, pois a totalidade do RSI é verba que, desde sempre, sai directamente do Orçamento de Estado.
Hoje, talvez mais envergonhados por um Estado Social exigente em termos orçamentais ser sinónimo de sociedade carenciada, o RSI é mais encarado pela sua natureza de apoio à sobrevivência e continua a revelar o quanto os Açores andaram sem conseguir dizer a tão grande percentagem dos seus cidadãos como deixar esse ciclo de dificuldades que vão permanecendo, apesar de tudo o que em contrário se vai continuando a ouvir por parte do poder regional.
E, se é certo que o ciclo de pobreza a que muitos açorianos estão entregues resulta da falta de oportunidades que não surgem pela incapacidade de implementar nos Açores um modelo económico que deixe de ser sustentado pela caça ao voto, mais certo é de que muitos dos nossos concidadãos necessitam de contar todos os cêntimos do RSI para poder levar o seu dia-a-dia.

Se tivermos em conta que a actual situação dos Açores exige maior atenção a quem passa por maiores dificuldades, mesmo sabendo-se que não são os paliativos de cariz assistencialista que por si só resolvem o nosso problema de fundo, temos necessariamente de defender a importância de apoios como o RSI.

(Diário Insular/Rádio Graciosa/Açoriano Oriental)

quarta-feira, agosto 06, 2014

Vira o disco


Os dezoito anos de poder socialista, nos Açores, criaram um sem número de esquemas, de estratégias, de ciclos e de modelos de poder político e social, local e regional, que esgotaram a capacidade de se regenerar.
O Verão de 2014 está a revelar em grande a máquina entropecida em que se tornou o socialismo açoriano, que apesar de ter tido a maior disponibilidade de fundos de sempre, um verdadeiro poço sem fundo, foi incapaz de preparar os Açores para um nível de desenvolvimento que deixe de ocupar o último lugar das regiões de Portugal e uma das piores da Europa!
Mas os Açores, neste contexto de região com um nível de desenvolvimento social e económico abaixo do lixo dos mercados, andam há 18 anos a ser governados por cómodas maiorias absolutas do Partido Socialista que gerem projectos e fundos de muitos milhões de euros, organizados em esquemas de avales e bonificações de juros ou spreads, assumidos pelo poder regional e apresentados como a virtude da finança pública.
São águas tormentosas de alta finança em que se movimentam os dinheiros dos Açorianos, com avales para cobrir dívida coberta pelo assumir de novo de dívida, com juros mais ou menos baratos mas sempre revelando uma coisa: Foi dívida que se venceu e que não se pagou!
Dívida que se vai herdando, de governo em governo, e com estes governos todos do PS, já vai de geração em geração.
Dívida que terá de ser paga, ainda que seja criando nova dívida, esperando que o vencimento um dia não calhe em altura de taxas incomportáveis, senão lá se vai a autonomia, a independência ou o que quiserem, porque governos houve, que hoje e no passado recente, aparentam ser magos na finança pública, e de repente os seus castelos de cartas desmoronam-se, tal como acontece em Bancos que tropeçaram nos esquemas e estratégias de andar a empurar dívida de um lado para o outro!
E isso até nem seria um problema, caso não se reflectisse na nossa capacidade de enfrentar os desafios do futuro sem estarmos apenas à espera que mais uns esquemas, mais umas organizações intermédias, e intermediários políticos, resolvam como se pode gastar os 1500 milhões do próximo quadro comunitário.
Porque, na verdade, ninguém ligado ao poder socialista está deveras preocupado com o desenvolvimento dos Açores. O que motiva a engrenagem socialista é manter a mesma música a tocar, mesmo virando o disco, manter os lugares das administrações disponíveis, as nomeações não esquecerem ninguém que equilibre poderes internos, quais lojas em disputa de clientes para o seu "portfolio"!
Por isso é que passam quadros comunitários e os Açores não conseguem sair da cauda do crescimento económico ou do desenvolvimento social europeu.
Some-se a esta máquina de gerar poder e de lutar internamente pelo poder no partido que governa os Açores há quase duas décadas, a incompetência com que os Açoreanos são brindados com políticos que ascendem a lugares de governação ou de administração por todos os motivos e mais algum mas não pela sua qualificação para o lugar, e damos com a vulcânica combinação em que vivem os Açores.
Na confusão climática deste verão de 2014 vão dando voltas ao disco, mas a música é sempre a mesma!

 (AO, DI, RG)

quarta-feira, junho 25, 2014

Pela dignidade de viver na ilha Graciosa

Viver na ilha Graciosa é um privilégio acompanhado por um sem número de constrangimentos próprios do isolamento e da insularidade. O balanço deste diálogo entre a vida numa ilha com pouco mais de sessenta quilómetros quadrados e apenas cerca de quatro mil habitantes é quase sempre positivo.
A ilha encerra em si uma mística própria que atrai quem por aqui fixa o seu destino. A certeza de uma rotina sem grandes sobressaltos e de uma certa segurança, própria de todos saberem o que se passa em cada lugar, redobram o prazer da graciosidade das paisagens e de cada recanto que apreciamos em doses sempre maiores à medida que vamos redescobrindo o prazer de se ser graciosense.
O isolamento torna-nos mais capazes de lidar com as adversidades que o acompanham, seja porque as gentes vão sempre lutando por melhorar a sua proximidade com os restantes Açores, seja porque os hábitos antigos acumularam saberes que ditam sempre como agir perante essa singularidade de viver num pequeno pedaço de terra, no meio do Atlântico.
Essa forma de olhar para o horizonte sempre à procura de mais qualquer coisa que nos dê a esperança de um futuro com melhores condições também gera, em nós, uma eterna insatisfação. Muito por culpa de um importante sentimento de incapacidade, que sempre vai tomando conta da nossa forma de estar, por vezes damos conta de que não fizemos tudo quanto devíamos para conseguir alcançar algo que ambicionávamos. E isso consome-nos no inconformismo perante os acontecimentos que não nos favorecem.
Todo este turbilhão de energias contraditórias renasce a cada contrariedade e, lá partimos para mais uma luta pelo direito quase divino da ilha não poder ficar fora dos caminhos que entendemos ser de desenvolvimento.
É esta alegria de saborear cada particularidade da vida na ilha que, ao mesmo tempo, nos leva à indignação quando percebemos o quão dramático é dar conta que ainda passamos por situações que levam à repulsa das gentes que, novamente, sentem a injustiça de situações que não se podem aceitar nos tempos actuais.
Assim sucedeu na passada semana em que, mais uma vez, foram necessários demasiados dias de espera pela realização de uma autópsia. No caso em concreto foi uma semana, uma inteira semana de sofrimento para uma família à espera de uma deslocação de um médico legista que permitisse que se cumprissem as cerimónias fúnebres de quem partiu em inesperada hora.
Não foi a primeira vez, e obriga ao dever de lutarmos por outra forma de tratamento destas situações que, acreditemos, tenha sido a última!
Sejam quais forem as razões que levaram a que se tivesse de esperar uma semana por uma autópsia não podemos deixar de manifestar a nossa revolta pela crueldade que se impõe a quem é submetido ao prolongamento da sua dor para poder despedir-se do seu ente querido.
É esta mais uma contrariedade com a qual não nos conformamos, e que não restem dúvidas de que este não é um preço a pagar pelo privilégio de partilhar esta graciosa ilha com cada um dos seus habitantes.
Há certas questões que estão para lá do aceitável, e esta é certamente uma delas! A dignidade das pessoas assim o exige.

quarta-feira, junho 18, 2014

Não deixe que a verdade estrague uma boa história

No discurso proferido no dia da região, o Presidente do Governo falou de coesão e da sua importância quando se festeja a Açorianidade.
De facto assim é, a coesão regional, social, e económica é um factor de unidade dos Açores.
Se uns acham que a necessidade de coesão dos Açores atrasa o desenvolvimento de algumas das suas parcelas, outros acham que sem coesão regional os Açores perdem a sua identidade. No meio termo, como em muitas coisas, é que estará a virtude.
Mas ouvir um político com 18 anos de exercício de poder falar de coesão dos Açores e em como a temos de procurar e estimular é algo que pode levar a que se questione como tem sido procurada essa coesão.
Terá Vasco Cordeiro memória? Será que ele se lembra da criação do conceito de ilhas de coesão? Que ao invés de potenciar o desenvolvimento de todas as ilhas levou a que umas se tornem mais desiguais e que outras encontrem motivos para olhar para dentro e reclamarem mais coesão? Será que se lembra do malfadado Plano Estratégico para a Coesão dos Açores? Que nunca chegou a ver a luz do dia tendo sido – apenas e só – mais uma propaganda feita à custa da necessidade de coesão que sentem todas as ilhas?
E será que o Presidente do Governo, ex Secretário Regional da Economia, da Agricultura, da Presidência e ex líder parlamentar do PS não sabe que resultados têm sido obtidos com as políticas praticadas pelos seus governos que têm gerado bairrismo e divisão entre ilhas e entre Açorianos?
Ao ouvir o seu discurso de coesão parece que Vasco Cordeiro apela mais à falta de memória dos Açorianos e menos à sua unidade!
A coesão dos Açores nunca se fez à custa de bonitos discursos que, invariavelmente, esbarram na crua e nua realidade. Não se pode falar de resultados na coesão quando olhamos para os indicadores sociais e económicos das diferentes ilhas e encontramos disparidades tão acentuadas, assim como não podemos falar de coesão quando, dentro da mesma ilha, essas disparidades se vão acentuando.
Basta olhar para factores como o poder de compra, a incidência do RSI, o envelhecimento ou a desertificação, passando pela mobilidade ou o acesso à saúde e à educação para percebermos que se há algo que não existe nos Açores é coesão. E nunca é demais reafirmar que não existe nem entre as diferentes ilhas nem dentro da mesma ilha!
Têm sido anos de políticas erradas e apenas direccionadas a resultados eleitorais, governando-se apenas a seis meses de eleições, que são a causa primeira do insucesso da coesão dos Açores.
Disso é exemplo a operação de transportes marítimos que ainda esta semana iniciou a sua ligação entre as ilhas do triângulo e a ilha Terceira deixando de fora a Graciosa, com a desculpa de que, lá para 2016, vão aparecer novos barcos, que por sinal são sobredimensionados e apenas destinados a mais propaganda eleitoral, estando suficientemente demonstrado que a sua operação pode transformar a Atlanticoline numa nova SATA Internacional.
A coesão regional não se anuncia, pratica-se, e como dizia Sócrates – o filósofo Grego – “A mentira nunca vive o suficiente para envelhecer.
(Rádio Graciosa, Diário Insular, Açoriano Oriental)

quinta-feira, junho 12, 2014

Pela SATA Agir antes que seja tarde

Qualquer cidadão dos Açores, seja residente, esteja na diáspora ou até migrado no continente ou na Madeira, tem sempre uma atenção especial para com a “sua” SATA.

Na vida quotidiana do arquipélago a companhia aérea regional, bandeira da região, assume uma importância quase sem paralelo na vida dos Açorianos, na economia dos Açores e nos anseios para o seu desenvolvimento.

É por isso que todas as notícias relacionadas com a SATA assumem sempre um especial motivo de atenção de todos e, ao saber-se que a “nossa” companhia se está a afundar em prejuízos faz soar diversos alarmes.

Fazer um historial da SATA talvez não seja o mais importante neste momento, mas lembrar que o actual Presidente do Governo tem responsabilidades directas na gestão da SATA nos últimos 6 anos, não pode deixar de ser motivo de preocupação para os tempos que se seguem.

Não podemos deixar de fazer notar que Vasco Cordeiro escolheu o actual Secretário Vítor Fraga para a administração da SATA quando era Secretário Regional da Economia. E não podemos deixar de lembrar que depois deste ter administrado a SATA, foi “promovido” a Secretário Regional com tutela daquela empresa, no actual elenco governativo, chefiado por Vasco Cordeiro. 

Pode até ser coincidência, mas não deixa de ser no mínimo estranho que, nesta dança de cadeiras, tenha entretanto ficado apeado o presidente daquela empresa e sido promovido um outro administrador da confiança política, também, de Vasco Cordeiro.

No meio da roda-viva empresarial da SATA vem a lume um prejuízo de mais de 15 milhões de euros, e todo um conjunto de notícias nada abonatórias para uma empresa que, além do mais, transporta consigo a bandeira dos Açores.

Seja pela evidente degradação da capacidade operacional da companhia, sucedendo-se anúncios de cancelamentos, fretamentos frequentes de aeronaves a outras companhias e de uma degradação acentuada dos serviços, a que se soma uma aberrante escolha de destinos, mais ou menos ao gosto partidário e propagandístico, ou passando pela intromissão excessiva de governantes e políticos do poder nas opções estratégicas da empresa, passando ainda pelos preços incompatíveis com a mobilidade dos Açorianos, a verdade é que o Governo Regional e a sua forma de actuar na tutela da SATA estão a pôr em causa milhares de postos de trabalho e até qualquer projecto de desenvolvimento dos Açores.

Quando Vasco Cordeiro tirou da cartola a dissidência de Vítor Fraga, como que aproveitando um supostamente valioso quadro do PSD/A, que havia sido presidente da JSD/A, fez questão de dizer que nos governos PS se premeia a competência e a excelência, independentemente da origem partidária dos protagonistas.

A ver pelos resultados que Vítor Fraga tem trazido para a governação e para a política regional, e não podendo Vasco Cordeiro devolver o seu Secretário à procedência, talvez fosse tempo de reconhecer que, por vezes, mais importante do que tentar causar engulhos ao PSD Açores, o melhor mesmo seria procurar não dar cabo do que resta de uma importante empresa regional como é a SATA.

(Rádio Graciosa, Açoriano Oriental, Diário Insular)

quinta-feira, junho 05, 2014

Opinião: "O que seria de nós"

O PS viveu recentemente um dos piores momentos da sua história. Não me refiro ao facto de - depois de uma vitoria eleitoral - o seu líder passar a desprezível pelas urdiduras palacianas do nosso socialismo burguês. Refiro-me ao voto a favor de uma moção de censura à Europa, à União Europeia, ao Euro, ao Governo, e ao próprio PS.
Perante a esperteza do PCP, que montou mais uma armadilha ao PS, este demonstrou a incapacidade de tomar decisões difíceis, como seria uma abstenção na moção de censura, preferindo "ir na onda" e aproveitar mais uma oportunidade de "malhar" no Governo.
Por aqui ficamos a saber, para além de quaisquer dúvidas, que se um dia voltarem ao governo e perante alguma coragem política e firmeza em tomar decisões difíceis, que em última análise sejam uma necessidade de Portugal, o PS ficará pela decisão mais cómoda, menos contestável e mais popular, ainda que isso possa fazer o país vir a ter maiores dificuldades no futuro.
Os últimos 3 anos foram de extremo sacrifício para os Portugueses. O país conseguiu cumprir com as suas obrigações graças aos grandes sacrifícios que o povo português tem sabido ultrapassar.
De nada serve aos socialistas dizerem que estamos piores quando agora conseguimos financiar o país e as suas necessidades, quando o país gasta mais com o Estado Social do que o faziam os governos do PS, de nada servirá dizerem que estamos perdidos quando a verdade é que os sacrifícios que foram feitos foram os necessários para que Portugal pudesse voltar a ter credibilidade junto de quem nos empresta o dinheiro para vivermos.
Os tempos recentes têm demonstrado que o PS não será capaz de dar continuidade à recuperação de Portugal. Por um lado, porque no PS cada um está é preocupado com o lugar que vai ter junto das simpatias do seu grupo de influência, discutindo o carisma e a popularidade dos seus membros, como se a embalagem valesse mais do que o conteúdo!
Por outro lado, a falta de personalidade política que leva a votar contra, só para poder estar na onda de contestação, mesmo não concordando com o conteúdo, faz-nos ter a certeza de que se chegassem ao governo não seriam capazes de lidar com momentos mais difíceis que possam aparecer pela frente ao país.
Imagine-se se tem sido o PS a ter o encargo de gerir o programa da Troika, em quantos resgates já não iríamos ou então já teriamabandonado o pântano.
É algo que hoje importa que cada um se questione: como seria se o PS tivesse de ter tirado Portugal da bancarrota? Quantos recuos já teriam sido feitos? Teria Portugal terminado o programa de ajustamento ou estaríamos ainda a discutir um segundo ou terceiro resgate?
E depois de sabermos que hoje, por certo, o país estaria a braços commuito mais dificuldades olhamos para esse mesmo PS que colocou Portugal de mão estendida e apenas vemos a preocupação de ter o poder, para repetirem tudo de novo, porque um partido cuja prioridade é discutir a popularidade do seu líder, facilmente irá deitar a perder os grandes sacrifícios que se fizeram.

(Rádio Graciosa, Açoriano Oriental, Diário Insular)

quarta-feira, maio 28, 2014

Opinião: Consuma produtos dos Açores se os encontrar à venda

Nos últimos tempos, temos assistido a várias declarações por parte do Governo Regional sobre a necessidade dos Açorianos adquirirem produtos regionais como forma de incentivar a criação de emprego que tanta falta faz na região.
Não podia estar mais de acordo com esta premissa. De facto, comprar produtos açorianos promove as empresas e os produtores dos Açores, disso não tenho dúvida alguma.
Some-se a esta verdade quase de "la Palisse", uma outra que não pode deixar de ser tida em conta nesta equação: a notoriedade de um qualquer produto de uma região só pode ser adquirida fora dessa região quando consegue cativar os consumidores de onde esse produto é oriundo. É um dos casos em que os "santos da casa", de facto, fazem milagres.
Nesse sentido, se ambicionamos, num qualquer dia, ver os nossos produtos a singrar fora da nossa região é necessário, primeiro, que eles tenham sucesso e sejam consumidos a nível regional.
Nisto só espanta o facto de se ter levado tanto tempo a perceber esta lógica que é a base de qualquer promoção de produtos regionais. É impensável que se queira que os produtos dos Açores possam vir a ter mercado lá fora se não forem reconhecidos cá dentro.
Parece, portanto, que ao fim de muitos anos começamos a ter uma lógica acertada em termos de poder ambicionar algum sucesso na criação de emprego, por via da aquisição de notoriedade dos produtos dos Açores. Isto se os Açorianos quiserem, de facto, consumir os produtos regionais.
Mas como estas coisas da boa vontade só funcionam se o caminho a percorrer não estiver entupido de dificuldades, a vontade do Governo Regional em que os Açorianos consumam produtos dos Açores só pode vir a dar resultados, desde logo, se os Açorianos consumirem produtos dos Açores, mas para que isso aconteça é absolutamente imprescindível que os produtos dos Açores estejam disponíveis para serem consumidos.
E é aqui que o caminho começa a criar dificuldades e que as boas intenções do Governo não bastam para que a estratégia de apelar ao consumo de produtos regionais possa funcionar.
A realidade por vezes tem destas coisas: estraga uma boa história e, o facto é que o mercado regional de produtos Açorianos não existe. Simplesmente não é real que se possa adquirir produtos das mais variadas ilhas por esses Açores fora. O mercado interno é ainda uma miragem, e apelar a que se consumam produtos dos Açores não se pode bastar com o facto de se consumir produtos locais apenas no local, neste caso na ilha, onde são produzidos.

Seja em que caso for, a verdadeira projecção dos produtos dos Açores só se faz se os Açores puderem funcionar como um mercado por inteiro, beneficiando do seu consumo em cada ilha dos Açores. Se já somos um mercado pequeno, quando o dividimos em nove realidades não conseguiremos chegar à criação de emprego e à internacionalização que se deseja com o consumo de produtos dos Açores pelos Açorianos, ou seja, tudo isto só não serão declarações bonitas de governantes inconsequentes se os Açorianos, quando vão à compras encontrarem produtos dos Açores.

(Rádio Graciosa, Diário Insular, Açoriano Oriental)

quinta-feira, maio 22, 2014

Opinião: O poder eleitoralista

Em período de campanha eleitoral, seja ela qual for, o Governo dos Açores multiplica-se em iniciativas, desdobra-se em presenças e eventos e a agenda dos governantes açorianos não tem mãos a medir.

É um hábito que não muda e que se torna ostensivo, já característico do regime socialista açoriano.

Na actual conjuntura somam-se outros elementos bem reveladores do desnorte que comanda esta região insular, vai já para duas décadas.

Há duas motivações de campanha por parte do PS Açores: por um lado a guerrilha constante à oposição dos Açores e ao Governo da República. Não há acto público em que participe um elemento do Governo Regional que não sirva para atacar ora a oposição nos Açores, ora o Governo do continente. Por outro lado, a discussão sobre os mais de mil milhões de euros que os Açores vão receber da Europa até 2020 serve para aliciar os mais variados quadrantes da nossa sociedade. Prometem de tudo: subsídios na agricultura, rendimentos nas pescas, projectos para industriais, emprego para todos, enfim, o habitual milagre das rosas a quem se mantiver fiel à voz de comando do regime.

A abrilhantar o momento eleitoral o Governo vai ziguezagueando na busca da popularidade. Se ainda há pouco mais de um mês a oposição dos Açores era torpedeada pelo Vice-presidente do Governo, por causa de querer acabar com o desconto das horas extraordinárias na remuneração complementar, hoje os socialistas dos Açores já alinham na revogação dessa medida, apenas com o propósito de não ficar de mal com a função pública regional, pois são votos que podem fazer diferença.

A cada dia que passa voltamos a ouvir que há soluções para tudo. Falam de criação de emprego quando são campeões nacionais na sua destruição. Falam de resolução dos problemas que serão criados com o fim das quotas leiteiras, quando andaram todos estes anos a assobiar para o lado e a fazer de conta que as coisas se resolveriam por si próprias. Não têm vergonha de prometer futuro para as pescas quando andaram a última década a gerir o sector com excesso de novas embarcações culminando com a escassez de recursos haliêuticos. E prometem grande futuro para o turismo depois de ziguezaguearem em torno do modelo, do produto e da mobilidade que podia, hoje, promover a recuperação da economia regional.

Como é já hábito quando se aproximam eleições, vemos um PS cheio de iniciativa, disposto a resolver todos os problemas, imbuído na máxima de que "agora é que vai ser"!

São quase duas décadas de modelo eleitoral socialista. Alguns dos que agora se desdobram ao serviço do regime instalado em conferências e apelo ao voto ainda nem falavam quando o PS assumiu o poder nos Açores. É uma estratégia esgotada de um modelo e de um Governo esgotados.

Nesta recta final de campanha aguardam-se novos milagres do socialismo dos Açores. As promessas de salvação serão repetidas à exaustão, regadas com o habitual aliciamento dos milhões a caminho e, tudo isso, em nome de um único objectivo: O poder pelo poder!

(Rádio Graciosa, Diário Insular, Açoriano Oriental)

quarta-feira, maio 14, 2014

Opiniao: Culpa com álibi

Portugal termina o programa de assistência e ajustamento após cumpridas todas as etapas sucessivamente acordadas com os credores.
O PS queria que os números fossem os mesmos de há três anos, mas a certeza é de que -  acompanhando a evolução da economia portuguesa, da europeia e mundial - os credores do país delinearam um caminho que cumprimos e que não tivemos de prolongar. Os mercados voltam a confiar suficientemente e o caminho pode deixar de ser tortuoso.
O país deixou de ser lixo, a puxar para o estercoso, para um lixo já reciclável.
Acresce que agora, se um qualquer titular quiser reformular o seu gabinete com uns mármores ou outras mordomias como se fazia no tempo da festa socialista, já não tem de pedir a bênção da Troika, sabendo porém que o mais certo é ser demitido no dia seguinte.
Os sacrifícios dos portugueses são vistos como a preparação de um melhor futuro e melhores oportunidades daquelas que hoje teria a próxima geração se se prolongasse a agonia da ressaca socialista. Temos mais consciência de equidade intergeracional.
Durante os últimos três anos, o PS alimentou todo o frenesim sobre uma coisa que, se sabia à partida, seria de uma enorme dureza para os portugueses, em particular a classe média e baixa que mais sentem o drama do desemprego. Fizeram questão de estar sempre do lado da incerteza e do descrédito na forma como cumpriríamos o que nos era exigido pelos credores. Alimentaram a depressão colectiva, apenas com o intuito de agregar a simpatia da convulsão social, provocada pela intervenção externa. E não contentes com nada, continuam a achar que tudo vai piorar, quando tudo está a tomar um caminho de um país capaz de caminhar pelos seus meios, no seio do euro e da comunidade europeia.
Nos Açores, o governo anseia por mais uns milhões para ver se se aguentam para além dos 20 anos de poder, indiferentes a que depois de uns quadros comunitários bem recheados, estamos em contraciclo com as restantes regiões de Portugal, caminhando para deixar à próxima geração uma região entregue à irresponsabilidade de quem preferiu gastar sem investir!
Começa a ser penoso assistir às performances do Governo Regional, que olha para o desemprego e para o afundar nos índices sociais e diz que a culpa é da república. Porém, essa culpa da república leva a que sejamos piores do que os outros que, na mesma república, conseguem ser melhores que nós. No fundo, os socialistas açorianos acham que os açores são piores que todas as outras regiões, por culpa dos outros!
Temos mais desemprego que os outros, por culpa deles, temos mais RSI, insucesso e abandono escolar, violência doméstica, gravidez na adolescência, baixos rendimentos, baixas pensões, alto coeficiente de Gini (que mede a desigualdade entre os mais ricos e mais pobres), baixo poder de compra, menor índice de desenvolvimento regional, maior desemprego jovem etc. etc., e tudo por culpa dos outros!

Para procurar a lógica disto temos de apelar à imaginação em formato Excel do Vice-presidente do Governo Regional, e aí talvez se explique como gerir fundos comunitários para ter resultado zero!

segunda-feira, maio 12, 2014

Opinião: Cartão vermelho e cartão de crédito

Em campanha para as eleições europeias, o líder parlamentar do PS nos Açores veio pedir o voto dos açorianos como um cartão vermelho ao governo da república!
Porquê? - Por causa da austeridade imposta nos últimos anos!
Desportivamente, Berto Messias quer distribuir um vermelho direto numas eleições em que se escolhem deputados e famílias políticas na Europa.
Qual Europa? - A mesma que após doze avaliações e concluído o programa de assistência e, sublinhe-se, de ajustamento, dá por terminada a subjugação do país ao castigo da austeridade.
O PS nos Açores quer dar vermelhos à Europa, precisamente numas eleições europeias.
De cabeça perdida no jogo, o PS quer expulsões aproveitando a impopularidade do adversário que “carregou o piano” durante toda a partida.
Ironicamente, um partido que tem um deputado elegível nas europeias, passa um atestado de desinteresse à sua lista de candidatos. Também, pudera, o cabeça de lista do PS foi o líder parlamentar que lutou pela sobrevivência política do governo que afundou Portugal, o tal que parece achar que um Clio é um “WolksWagen” (do alemão: carro do povo), indigno de um líder parlamentar do PS. O melhor, portanto, é que nem se fale na candidatura europeia do PS.
Não bastasse o PS querer ver-se livre do adversário, a sua família europeia já confunde o que querem os socialistas do sul - deste cantinho à beira-mar plantado com umas ilhas no meio do atlântico - e assistimos ao líder dos socialistas europeus a desmentir constantemente as promessas dos socialistas portugueses.
O melhor mesmo para o PS é que nem se fale de Europa, não se fale de verdade e de realismo. Melhor mesmo é falar-se mal do Governo da República na saída de um programa que, durante três anos, apenas teve oposição populista do PS e do Governo dos Açores.
Que nem se fale de Europa e de como estamos a afastar-nos do “el dourado” comunitário. Estamos mais pobres e menos capazes de enfrentar o futuro, por isso o melhor é falar-se de outras coisas. Nada melhor que não se falar no caos que está o PS e o Governo dos Açores. Fale-se então do rio de euros que está para chegar. Milhões até 2020, um verdadeiro cartão de crédito eleitoral. Falemos nisso e contra o Governo da República.
Assim, talvez as pessoas se esqueçam de que greves estão é a acontecer aqui, desemprego está a piorar é por cá, demitem-se gestores de topo é nos Açores!
Se o cartão vermelho pedido pelo PS de Berto Messias, Vasco Cordeiro e Sérgio Ávila tivesse uma analogia desportiva recente era mais ou menos como a tentativa de expulsar um jogador do Benfica na véspera do jogo, movendo-lhe um processo disciplinar.
São práticas que já habituaram os açorianos.
A conversa do PS para a campanha das europeias não abona em nada com a importância dos assuntos que estão em cima da mesa. Mas, também, verdade seja dita que o atual PS dos Açores é uma hipérbole do “princípio de Peter”, todos são promovidos ao grau da sua incompetência!
Por isso querem que se fale de cartões, sejam vermelhos ou de crédito.
(Rádio Graciosa, Diário Insular, Açoriano Oriental)

sexta-feira, maio 02, 2014

Opinião - POA: Pib Ou Açores

No dia 27 de Novembro de 2007 afirmava Carlos César, então Presidente do Governo, aquando da discussão do Plano e Orçamento dos Açores para 2008: "Nós sabemos que se concentrarmos, até que fosse só o investimento público, ou o apoio ao investimento privado, exclusivamente em áreas com maior ou menor capacidade, de economia de escala, de economia de aglomeração, ou em determinados tipos de investimentos em São Miguel, em Ponta Delgada, na Ilha Terceira e deixássemos o resto por sua conta, nós tínhamos melhores resultados no PIB, mas tínhamos piores resultados no bem-estar e na qualidade de vida dos açorianos. E essa é uma opção consciente da política do Governo. Repito: enquanto for preciso lutar para criar condições de vida, condições de actividade económica regular, condições de bem-estar nas nossas ilhas dos Açores, enquanto for preciso ter um sobre esforço em ilhas como no Corvo, Flores, Graciosa, São Jorge e Santa Maria, pois devemo-nos concentrar aí e o PIB que espere. O PIB que espere! Eu não quero é que os açorianos esperem muito em alcançar o bem-estar e a qualidade de vida que eu ambiciono para a minha terra."
Ao seu lado, Vasco Cordeiro, então Secretário Regional da Presidência, retorquia: "Muito Bem"!
Pois bem, o PIB continua à espera e, contraditoriamente ao que afirmava César, as ilhas que mais necessitavam de um esforço do Governo continuam sem ver resultados desse suposto esforço. Ou melhor, estão piores, mais desertificadas, com um tecido económico mais frágil e com mais problemas sociais e económicos.
O PIB esperou e as ilhas desesperaram!
Agora, em 2014, a discutir o que queremos com os milhões disponíveis da Europa até 2020, vem o Vice de Vasco Cordeiro dizer que quer atingir um PIB de 80% a 84% da média europeia.
Certamente que Vasco Cordeiro volta a dizer: "muito bem"!
A pergunta que se impõe é se o actual Governo Regional desistiu de desenvolver todas as ilhas para se concentrar em fazer crescer o PIB dando corpo à tese de César, ou se, por outro lado, estamos apenas perante mais uma declaração vaga e sem sustentação por parte do Vice de Vasco Cordeiro?
A verdade é que quer seja pela tese de César, quer seja pela vacuidade da afirmação de Sérgio Ávila, os Açores vão continuar na presente legislatura a assistir a um Governo cada vez mais incapaz de encontrar o rumo do desenvolvimento e do crescimento económico.
Se a afirmação de Sérgio Ávila já só merece o crédito do Vice-Presidente e que é nenhum, já o possível alinhamento com a tese de Carlos César - de que se pode fazer subir o PIB investindo apenas em S. Miguel e na Terceira encerra o perigo de as restantes ilhas continuarem a definhar e a arrastar consigo todos os Açores.
O que este PS e o seu Governo Regional, com vícios e teses erradas já com 18 anos de poder, ainda não perceberam é que o seu modelo de desenvolvimento baseado no estrangulamento e controlo da sociedade, das instituições e da economia levará a mais um quadro comunitário de muito desperdício e poucos resultados.

(Rádio Graciosa; Diário Insular; Açoriano Oriental)