Este ano o Governo do PS fez bandeira do novo serviço público no Grupo Central. Um serviço que garantia mobilidade e que possibilitava a muitas ilhas sonhar com mais movimento de pessoas.
Também muitos açorianos queriam aproveitar a melhoria de acessibilidades para dar um saltinho à ilha do lado. Ou a outra que não é habitual visitarem.
Mais uma vez fica tudo só no papel. Nem o serviço público é cumprido nem o Governo tem soluções.
Mais uma vez não há plano "B", e mais uma vez defraudaram-se expectativas, frustraram-se ambições e com isso arruínam-se negócios.
Mas além de tudo isso, também a propaganda de melhores horários da Atlanticoline se ficam por isso mesmo. Por propaganda!
Vejam-se estes cenários, que são reais e reveladores da falta de noção que o Governo tem da realidade: Para ir à Graciosa passar um fim-de-semana vindo da Terceira pode ir na sexta (de manhã!) mas só regressa na terça à tarde. Ou então, o caso de ligações entre a Graciosa e S. Miguel, de onde, quem quiser ir às maiores festas da Graciosa tem se sair na quarta antes, para só chegar na sexta, numa viagem de 1 dia, 20 horas e 30 minutos. Ou então sair no sábado só chegando Domingo à noite à Graciosa, numa viagem de 1 dia, 12 horas e 15 minutos.
E querem que alguém acredite que assim vamos a algum lado? Assim não há coesão que resista, nem há investimento que se torne reprodutivo.
E veja-se o que acontece se fizer essa viagem de S. Miguel para a Graciosa: Como a Atlanticoline mantém uma discriminatória política de proibição de pernoitas, os passageiros são postos na rua, levando a gastos exagerados de estadia na ilha de passagem.
Não têm remédio!
Já quanto aos preços das viagens, e para quem acha que são baratas, façam uma comparação: O preço de uma viajem de ida e volta à Graciosa, para quem sai da Terceira, é de 55 euros. Se trouxer viatura paga 83 euros, num total de 138 euros. Ora, uma viagem num ferry entre Las Palmas e Santa Cruz de Tenerife, nas Canárias, e com uma distância igual à que separa a Graciosa da Praia da Vitória, custa, para um casal de residentes com viatura, 49,88 euros.
Ou seja, nas Canárias, com uma tarifa de residente (serviço público à séria), um casal com viatura viaja num ferry moderno e confortável por menos daquilo que um único passageiro paga nos Açores.
Estamos muito longe de ter um transporte marítimo de passageiros em condições e o pouco que se conseguiu nos primeiros anos de operação foi destruído pelos erros de um Governo incapaz de ter soluções.


