A Academia Musical da Ilha Graciosa tem vindo, há mais de 20 anos, a ensinar a miúdos e graúdos a arte da música.Desde 1996 a Academia Musical da Graciosa tem paralelismo pedagógico que permite uma relação estreita com o ensino oficial, desconcentrando meios e dando à sociedade civil uma tarefa de instrução alternativa.
O então Secretário Regional da Educação, Dr. Bento Barcelos, deu à Academia da Graciosa a notoriedade reclamada quer pelo trabalho desenvolvido quer pela comunidade em geral.
Esse reconhecimento permitiu à Academia tornar-se mais ambiciosa no trabalho em prol do ensino da música, sendo garantidos meios para assegurar o paralelismo pedagógico.
Actualmente tudo mudou.
No "reinado" do anterior Secretário da Educação, Dr. Álamo de Meneses, começou-se a querer decapitar a Academia do rumo traçado em 1996, com a vontade de a reduzir a um mínimo que, ironicamente, é essencial para todo o resto.
Nos últimos anos só se assegurava paralelismo tarde e a más horas para a boa programação anual.
A Academia "rodava" bons professores mas não estabilizava o quadro dadas as anuais incertezas do Governo.
Este ano, com o leme nas mãos da Dr.ª Lina Mendes, promove-se a machadada e retira-se o paralelismo pedagógico - a par de se retirar os alunos do 5º ao 9º - o que para a Academia corresponde a um terço dos seus alunos.
Ainda assim, a Academia fica com o "encargo" do ensino às crianças até ao 5º ano e para quem queira algo mais da música, a partir do 5º grau.
E pode a Academia fazer isso sem um tostão de apoio?
Quem pensa que a educação musical se faz exclusivamente entre o 5º e o 9º ano de escolaridade está a milhas de ser um mediano governante!
E se com o fim do apoio à Academia de Música, acabarem os coros infantis, os espectáculos de dança, as audições e os espectáculos musicais?
Ficamos melhor?
Quantos serão aqueles que irão começar na música com mais de 10 anos sabendo que só há até ao 5º grau?
O que pode andar na cabeça de um Governo que quer isto para a Graciosa?
Por entre os pingos da chuva anda a autarquia de quem ainda não se ouviu uma palavra, um comentário!
A atitude do Governo deve obedecer a um plano mais específico sobre o ensino da música na Graciosa, de outro modo estamos perante uma asneira, mais uma, de um Governo cada vez mais avesso a tudo o que escapa ao seu poder hierárquico!
A falta desse plano sério para melhorar o ensino da música pode significar um retrocesso impensável para uma ilha onde a música é parte da alma colectiva.
Publicado no Diário Insular e Rádio Graciosa




