Na ilha Graciosa faz falta discutir o futuro, propor alternativas, opinar, ouvir, exigir e procurar alcançar o bem comum. Este espaço pretende dar um contributo. Não teremos sempre razão nem seremos donos da verdade, queremos apenas ser uma pedra no sapato da inércia, da falta de visão e imaginação, do imobilismo estratégico e da cultura do "yes man". Temos uma tarefa difícil, temos de partir muita pedra mas não nos importamos, o burgalhau é sempre útil!
terça-feira, novembro 30, 2010
Planos falhados
Terminei a minha crónica concluindo que o plano seguinte seria certamente mais volumoso, atendendo à acumulação de verbas não executadas e que o Governo adia sucessivamente.
Não me enganei!
Este ano o Plano volta a crescer, desta feita mais de 1 milhão de euros relativamente ao ano passado.
Mas voltamos à técnica de acumular promessas, inscrevendo verbas que não se executam, levando a que a verba cresça sem que isso signifique grande coisa.
No ano passado o Governo inscreveu cerca de 3 milhões de euros para o novo Centro de Saúde.
Este ano o Governo inscreve mais cerca de 5 milhões para essa mesma obra.
Ora, como não se prevê que o Centro de Saúde custe 8 milhões, na verdade o que temos é a mesma verba reinscrita, pois no ano passado limitaram-se a inflacionar o Plano para demonstrar grandes intenções.
Tem sido assim e, no entretanto, lá vão alguns dizendo que acham tudo isto muito positivo, muito normal e muito bom para todos.
Esta forma de governar, adiando sempre para anos eleitorais novas primeiras pedras e novas promessas, tem atirado a Graciosa para ciclos de execuções que, numa avaliação global, acabam por não ter a repercussão positiva que deveriam.
Este ano o Governo volta a esquecer a desejada marina (ainda é cedo para uma obra dessas dar frutos eleitorais), esquece o novo matadouro (o objectivo é o mesmo), ignora a protecção costeira de Santa Cruz (resta-nos rezar) e faz de conta que nunca prometeu a requalificação da baía da Praia (isso é mais em ano de eleições)!
No Plano, o Governo não dá mostras de querer cumprir com o que prometeu para a presente legislatura, até porque será o penúltimo plano desta e as prometidas obras não se fazem em alguns meses, e mantém a mesmíssima linha de actuação para a Ilha Graciosa.
Quem acha que isto é positivo só pode ter baixado os braços perante o declínio que vamos tendo nas verdadeiras lutas pelo desenvolvimento da Ilha.
Não parece lógico que os sucessivos Planos que assumem sempre as mesmas orientações estratégicas e que, de quatro em quatro anos, adiam a ilha para a legislatura seguinte, possam deixar de ter um olhar crítico e de frontal discordância.
Era tempo de a Graciosa voltar a ter voz de reivindicação no cumprimento de promessas esquecidas, de não se limitar a acenar com a cabeça como se esperasse apenas mais um favor ou uma benesse.
Era tempo dos Planos serem cumpridos e executados na íntegra. De não resultarem sempre num constante falhanço perante o desafio do desenvolvimento e de devolução à ilha de uma nova esperança.
Publicado no Diário Insular de 23/11/2010
domingo, novembro 28, 2010
quarta-feira, novembro 24, 2010
sexta-feira, novembro 19, 2010
quinta-feira, novembro 18, 2010
Agasalhe uma Nova Vida
“Agasalhe uma Nova Vida”
Actualmente, existem muitas famílias carenciadas, que estão a sentir fortemente as consequências geradas pela crise económica que o país atravessa. Há novas vidas que perigosamente estão a ser alvo desta situação. Os produtos considerados indispensáveis ao crescimento e desenvolvimento normal de um bebé têm, muitas vezes, custos elevados.
O serviço de Saúde Materno-Infantil do Centro de Saúde apela à solidariedade social dos graciosenses para que possam ajudar estas famílias a responder, de melhor forma, às necessidades dos seus filhos. Eles são o nosso futuro.
Pode deixar a sua contribuição na:
- Consulta Externa do Centro de Saúde de Santa Cruz da Graciosa
- Casa do Povo da Freguesia do Guadalupe
- Casa do Povo da Freguesia de S. Mateus
- Junta de Freguesia da Luz
Material necessário (pode ser usado):
- Roupa de bebé dos 0 meses aos 6 meses
- Edredão para bebé
- Flanela
- Fraldas descartáveis dos 0 meses aos 6 meses
- Biberão
- Alcofa
- “Ovinho” / Cadeira de transporte
O Serviço de Saúde Materno-Infantil do Centro de Saúde de Santa Cruz da Graciosa agradece o apoio de todos os que contribuírem.
quarta-feira, novembro 17, 2010
O desespero sucessório
O Dr. Francisco Coelho fez questão de dizer que era uma opinião "pessoal" e que, pessoalmente, achava que por ser uma "liderança forte" não vinha mal ao mundo de o mesmo se recandidatar pela quinta vez.
Fez bem o Presidente do Parlamento em frisar o afastamento da opinião do cidadão Francisco Coelho da opinião do titular do órgão regional. Mas não o fez inocentemente.
É que o Dr. Francisco Coelho, que é o actual Presidente da Assembleia Legislativa, foi também actor central no processo de Revisão do Estatuto Político dos Açores que consagrou a impossibilidade de um Presidente de Governo fazer mais do que 3 mandatos consecutivos, admitindo-se apenas uma excepção para um 4º mandato de César. E fez bem diferenciar a qualidade "pessoal" da sua opinião porque bem sabia que, institucionalmente, essa opinião é indefensável.
Ou seja, Francisco Coelho, político do PS, pode defender o que muito bem entende. Já o Presidente do Parlamento não pode defender uma violação clara do Estatuto Político dos Açores. E não o pode fazer porque, na verdade, a excepção criada para César se poder candidatar a um "quarto" mandato, esgotou-se com a vitória daquele nas eleições de 2008.
A norma transitória que consagrava a excepção ao exercício de mais do que 3 mandatos, esgotou-se na vitória de César, e o facto da promulgação do Estatuto ter sobrevindo àquela eleição apenas encerra a inexistência de norma transitória para uma nova recandidatura. Isto é, não há qualquer norma que excepcione o actual Presidente do Governo perante a regra geral de não poder fazer mais do que três mandatos consecutivos no cargo.
Acresce que, mesmo que se interpretasse a norma transitória reportando a um sentido de permissão de mais um mandato, essa interpretação esbarra de forma inequívoca quer no texto, quer no espírito, da própria norma que permite um "quarto" mandato, sendo cilindrada pelo espírito, e até pela fonte, do Estatuto, que apenas excepcionou um eventual "quarto" mandato.
Essa é a interpretação do próprio César que sabe, ainda que isso lhe cause ansiedade, não poder recandidatar-se em 2012.
Percebe-se, por outro lado, a opinião pessoal do Dr. Francisco Coelho: O PS não consensualiza a quem confiar a liderança do Partido. É a aflição Socialista que, perante perder uma "liderança forte", a quer segurar a todo o custo. O seu fim é o fim da paz interna e o início de um ciclo de sucessão fratricida de onde muitos fugirão, principalmente eleitores!
Publicado no Diário Insular.
sexta-feira, novembro 12, 2010
quarta-feira, novembro 10, 2010
terça-feira, novembro 09, 2010
Justo e Solidário?
O candidato Manuel Alegre escolheu como lema de campanha o slogan "Justo e Solidário".O candidato Alegre tem mostrado tudo o que nos leva a fugir da sua eleição, como se um desígnio nacional se tratasse. Torna-se quase obrigatório não eleger o poeta para Presidente de todos os Portugueses, creio mesmo que, se tal viesse a acontecer, não nos salvaríamos de uma maior crise financeira. Pense-se só no que fariam os mercados perante a eleição de alguém apoiado pela estrema esquerda. Seria a emissão de bilhete para a entrada do FMI, se até lá Sócrates não escancarar as portas para que tal aconteça.
O candidato Alegre não podia ser mais lírico no contra-senso do seu slogan de campanha. Na verdade, Alegre tem sido justo e solidário com o PS. Tal como o seu maior apoiante regional, Carlos César, Alegre tem grande parte da responsabilidade na situação do país, ou não fosse ele um dos mais antigos deputados socialistas (ou mesmo o mais antigo), estando sentado na cadeira de deputado desde Abril de 1974.
A Alegre ninguém ouviu senão palavras solidárias para com Sócrates, revelando uma atitude de subserviência à lógica partidária, com umas pitadinhas de "enfant terrible", mas sempre inserido no jogo de poder interno do PS e solidarizando-se sempre com o líder nos momentos de mais intensa luta política.
É tal a dependência de Alegre relativamente ao PS que veio já lamentar-se de não haver mais dirigentes do partido na sua campanha eleitoral.
Numa atitude reveladora do incómodo que lhe causa o apoio ideológico do Bloco de Esquerda, Alegre tem dado mostras de autênticos pedidos de socorro ao PS e a Sócrates. Não que Alegre queira Sócrates a aparecer, cruzes credo, mas que mande alguns dos seus "boys" para dar um ar de apoio do PS a este candidato.
A presença da família Soares na campanha de outro candidato está a melindrar Alegre na sua mostra de que está com o PS e sempre defenderá o PS.
No plano da sua campanha anti-Cavaco, Alegre desdobra-se em críticas avulsas e contraditórias. Se por um lado quer que Cavaco faça coisas e diga mais coisas ainda, por outro lado insurge-se por Cavaco existir, por falar, por aparecer, por ser e por estar.
O poeta está perdido na prosa de uma campanha perdida. Não sabe o que quer e não quer o que sabe.
Nesta caminhada até 23 de Janeiro salva-se a lucidez de Cavaco, que não embarca em slogans que tentem mostrar aquilo que não é e que, mantém uma atitude de Estado, fulcral para o futuro de todos nós.
Publicado no Diário Insular
quinta-feira, novembro 04, 2010
Culpados!

O Presidente do Governo Regional já veio dar nota dos paliativos que pretende aprovar para reduzir a pobreza dos mais pobres, mas são pequenas quantias que até no orçamento regional são uma migalha se atendermos ao esbanjamento de dinheiros públicos que é já uma marca socialista na governação.
O anunciado aumento de 60 cêntimos mensais no complemento regional de pensão é o resultado da máxima que o PS pratica e que se resume em fazer uma grande festança para comemorar a miséria e com isso dar uma imagem de preocupação social.
Vivemos uma inversão dos mais nobres valores democráticos e não será com a mesma receita de sempre que conseguiremos dar a volta. Aliás, o futuro que o PS prepara para os Açorianos não augura nada de bom. Em breve teremos que lidar com a escassez de recursos comunitários, cansados de sustentar uma governação saloia e marcada pela irresponsabilidade e despesismo.
No fundo, e chegados ao final de muitos milhões investidos pela Europa, conclui-se que não investimos onde deveríamos ter investido. Na verdade, limitámo-nos a gastar onde não deveríamos ter gasto.
Há apenas um ano, em plena crise mundial, os socialistas na República prometiam o fim da crise e gastavam recursos de uma forma que nos coloca na bancarrota. Nos Açores prometia-se que não haveria crise e que estávamos a salvo da austeridade.
Estão à vista os resultados de tanta insensatez e irresponsabilidade só justificadas pela extrema incompetência de quem continua a gastar recursos do Estado como se fossem inesgotáveis. E para os socialistas são mesmo inesgotáveis enquanto houver impostos para cobrar.
Após mais um ano de governação de Sócrates não podíamos estar pior. Não podemos, por isso, deixar de responsabilizar todos aqueles que, com a sua retórica de demagogia, tudo fizeram para eleger o actual primeiro-ministro.
Nos Açores essa responsabilidade é total por parte do PS e do seu presidente Carlos César, a par de todos os responsáveis políticos socialistas que tudo fizeram para eleger o pior Primeiro-Ministro que a democracia portuguesa conheceu. Carlos César usou de todos os meios ao seu dispor para convencer os Açorianos.
É altura de assumirem as suas responsabilidades, é altura de fazerem o "mea culpa" por contribuírem para o actual estado das coisas. Mas mais do que isso, é altura de, democraticamente, apontar o dedo aos culpados para que a memória não se esvaneça e os Açorianos não esqueçam.
Publicado no Diário Insular e Rádio Graciosa
terça-feira, novembro 02, 2010
Razão no tempo certo
Entretanto, perante as evidências e rendida ao óbvio, a senhora deputada do PS, Vera Bettencourt, acabou hoje por reconhecer a razão das minhas preocupações.
Pena que quando levantei a questão não tivesse feito o comentário que se segue e que, com tantos rodeios, parece que engoliu um grande sapo!
p.s. dois recados:Não fica mal reconhecer a razão a quem a tem & Não devemos esconder o sol com a peneira!
Ah, e já agora, com aviões maiores é natural que haja mais oferta de lugares e mais capacidade de carga!
