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sábado, março 03, 2012

Desemprego - a marca certificada do PS


No 4º trimestre de 2010, a taxa de desemprego nos Açores era de 7%.
Passado um ano, no 4º trimestre de 2011, os Açores têm um desemprego de 15,1%, atingindo mais de 18 mil açorianos e ultrapassando os valores do continente.
Em Abril de 2011 Carlos César dizia à agência Lusa que "Outro factor a ilustrar o desempenho da economia da região é a taxa de desemprego que é inferior à de Portugal e uma das mais baixas no seio da União Europeia". E
acrescentava: "Há aqui uma diferença substancial [entre o arquipélago e o continente] que permite que os Açores também tenham alguma folga para fazer com que os efeitos (da crise) nas famílias e nas empresas possam ser compensados mediante apoios públicos para minimizar essas consequências."
Esta palavras, ditas há menos de um ano, ilustram bem as ilusões que se tentam sistematicamente vender aos Açorianos. É um hábito e uma forma recorrente fazer uso das palavras para tentar esconder os factos.
Desde há muito que se vem assistindo ao crescimento do desemprego nos Açores. Desde 2006 que o aumento do desemprego é sistemático passando de 3,8% para os atuais 15,1%.
No caso dos jovens os actuais níveis de desemprego são igualmente dramáticos. Nos Açores, o desemprego jovem também já ultrapassou os valores do continente com valores na ordem dos 36%.
Mais uma vez, devemos questionar aqueles que tiveram a responsabilidade governativa para procurar respostas para tamanho insucesso. O que foi feito da folga de que falava Carlos César há menos de um ano?
Com assuntos desta seriedade é importante que os responsáveis políticos falem verdade e não andem apenas em campanhas de desinformação que procuram somente obter simpatias eleitorais mas que não resolvem problema algum.
Veja-se o caso dos sucessivos anúncios do PS no combate ao desemprego jovem e os repetidos anúncios de planos e propostas que continuam a não ter qualquer consequência positiva.
Quem quiser pode fazer a experiência de pesquisar na internet os anúncios que o PS fez nos últimos anos de combate ao desemprego jovem e de planos para o enfrentar. Chegamos ao cúmulo de encontrar registos com vários anos, e, no caso do anunciado plano regional de emprego jovem, então ainda é mais caricato.
Este plano foi anunciado em Junho do ano passado, entretanto o desemprego vai subindo e o líder parlamentar do PS continua a anunciar sempre o mesmo plano!
Estamos perante mais um plano de emprego para levar até bem perto das eleições, procurando enganar mais uns quantos!
Assim será nos próximos tempos, e quanto a isso apenas posso alertar: Não se deixe enganar!


(Publicado no Diário Insular e Rádio Graciosa)

quinta-feira, março 01, 2012

Berta Cabral defende incentivos a explorações agrícolas para combater desemprego



Ponta Delgada, 1 de março de 2012

Berta Cabral defende incentivos a explorações agrícolas para combater desemprego

A candidata do PSD/Açores a presidente do governo regional propôs hoje a criação de incentivos às explorações de horticultura e fruticultura para que absorvam a mão-de-obra que se encontra no desemprego, alegando que são áreas com "grande potencial de crescimento".

"Entre pagar subsídios de desemprego e apoiar a entrada de mão-de-obra neste setor, deve-se optar pela segunda hipótese e incentivar as explorações agrícolas que apostem na diversificação", afirmou Berta Cabral, em declarações aos jornalistas, após uma reunião com a direção da Associação de Jovens Agricultores Micaelenses.

A líder social-democrata salientou que as áreas da horticultura e fruticultura da Região possuem grandes potencialidades "que têm de ser exploradas", dado que os Açores "não têm autossuficiência alimentar, pois importam-se muitos produtos que podem ser aqui produzidos".

"Desde que haja uma associação entre as estruturas representativas dos agricultores, a Universidade dos Açores e a criação de incentivos para canalizar a mão-de-obra, qualificada e não qualificada, para este setor, vamos conseguir absorver parte da mão-de-obra que agora está no desemprego", explicou.

Berta Cabral considerou que esta proposta deve ser aplicada "no imediato", visto que o setor agrícola, sobretudo nas áreas da horticultura e fruticultura, "consegue facilmente absorver mão-de-obra".

"A vantagem desta proposta é que não só cria emprego, como também substitui importações. E hoje em dia temos que reter todo o nosso dinheiro nos Açores, para que este se multiplique cá dentro. Tudo aquilo que for exportar ou substituir importações é fundamental para aumentar a produção regional e criar riqueza", disse.

A candidata do PSD/Açores a presidente do governo regional acrescentou que a agricultura "é um setor que emprega pessoas de grande e baixa qualificação, que são exatamente as duas faixas da população que registam neste momento maior crescimento de desemprego".

Questionada pelos jornalistas sobre as medidas apresentadas esta semana pelo governo regional para o desemprego, a líder social-democrata afirmou que "são bem-vindas, embora não sejam suficientes para resolver o problema estrutural" dos Açores, cujo modelo de desenvolvimento entrou em "falência".

"O que temos de fazer é pôr em marcha um novo modelo económico. É isso que o PSD se propõe pôr em prática. Os Açores precisam de novo ciclo de desenvolvimento económico, em que as nove ilhas constituam um mercado único. Há um grande mercado de consumidores nas diferentes ilhas que não consumem produtos regionais", defendeu.


Som – Berta Cabral Berta Cabral defende incentivos a explorações agrícolas para combater desemprego
Som – Declaração integral de Berta Cabral

Foto – Berta Cabral 1
Foto – Berta Cabral 2
Foto – Berta Cabral 3


quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Folia Graciosense!

Este ano, em figurantes, o carnaval da Graciosa movimenta mais de 12% da população residente. Depois há todos aqueles que abrem e fecham os clubes e as sociedades, que depois limpam, cozinham, recebem e divertem-se. Há também os que transportam, os que tocam, os que acompanham os seus filhos, os que decoram e se organizam. Há as visitas de sociedade em sociedade, dando alegria e folia, sempre com um pezinho de dança e um bem receber!
Toda uma ilha se empenha, na diversão e na alegria, transmitindo um viver único e uma tradição secular, em que a partilha e a entrega ao bem estar de todos se revela na folia com que o carnaval é vivido em todos os lares.
Organizam-se os bailes e preparam-se as fantasias, com coreografias e animação para levar boa disposição por toda a ilha.
É sem dúvida um cartaz turístico a merecer a atenção e o cuidado de olhar para esta singularidade de toda uma população se empenhar, de uma ou de outra forma, numa festa colectiva, nesta ilha que é "graciosa"!
Mas é também uma mola na economia local, que cada vez mais deve ser olhada nas suas características únicas. E isso implica ter em conta estas razões que a ilha apresenta para exigir melhores horários de transportes, e a preços que não seja impossível para aqueles que nos querem visitar, poderem sequer pensar em dar um "saltinho" à Graciosa!
Há todas as razões para querer passar um fim-de-semana na Graciosa, onde se conjugam a diversão e o sossego, de uma ilha que tem o condão de proporcionar uma redescoberta de nós próprios e que nos oferece dias inesquecíveis.
Para os graciosenses nada disto é novo. E estou certo que muito mais e melhor se pode dizer deste viver graciosense, que vai do Natal à Terça-feira gorda e que a ninguém deixa indiferente.
Saber aproveitar e elevar aquilo que tem muito de nosso e de único demonstra o prazer que temos em viver a nossa cultura e tradição, sem termos de comparação e sem notas qualitativas, porque aquilo que celebramos é um momento comunitário, por natureza receptivo e sempre voluntarioso.
O Carnaval graciosense é digno de destaque por todos quantos nele se empenham para tornar a nossa vida muito menos aborrecida.
Se ficou curioso ou saudoso de participar no carnaval graciosense, não deixe de nos visitar. Bem sei que não deve ser fácil arranjar um voo em condições, mas sempre fica o desafio e a promoção. É que isto de promover a Graciosa não é para um dia destes, era para ontem!

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Graciosa - virar ao futuro!

A constante saída de jovens da ilha Graciosa tem vindo, ao longo dos anos, a provocar a desertificação da ilha que vê, assim, o seu futuro tornar-se menos animador.
Se é certo que sem pessoas não podemos ambicionar um melhor futuro, é também certo que só se podem cativar os nossos jovens a permanecer na ilha, ou a ela voltar, se estes tiverem condições para empreender e trabalhar.
São sobejamente conhecidas as características da ilha Graciosa para produzir com qualidade. Características essas que, num contexto em que é cada vez mais urgente aproveitar aquilo que de melhor se tem, podem potenciar a criação de riqueza e de emprego.
O futuro, para ser o encontro entre o que os graciosenses desejam e o que a ilha tem para oferecer, deve ser marcado por quebrar as barreiras do isolamento, favorecendo a mobilidade e criando condições para que os produtos da Graciosa forneçam um mercado mais vasto, a preços competitivos.
Por vezes, as palavras assumem significados que não passam de intenções e de promessas de concretizações. Os graciosenses estão habituados a isso e a que se renovem compromissos a cada quatro anos.
Assistimos a esses momentos com a esperança de que algo verdadeiramente mude, mas, Infelizmente, voltamos sempre ao ponto de partida.
Mobilidade e transportes são sempre o tema presente para fazer voltar a esperança à Graciosa. Uma esperança que não se desvanece, mas que igualmente não vê concretizados os seus pressupostos.
Muito se tem falado na criação de um verdadeiro mercado interno. Para os Graciosenses não é uma ideia nova, pois sempre se têm batido por ela.
Aqueles que querem fazer crer que esta motivação assumida pela Dr.ª Berta Cabral teve outra origem que não o consolidar do projecto político que o PSD quer ver implementado nos Açores, são os mesmos que andaram durante muitos anos a ignorar que o desenvolvimento desta ilha passa pela concretização desta ideia.
Não é sério dizer, depois de tantos anos a exercer o poder, que agora é que se vão resolver os problemas da mobilidade e dos transportes em relação à ilha Graciosa. E não é sério, porque essa sempre foi a maior e mais veemente reivindicação dos Graciosenses.
A ilha Graciosa sente como poucos a forma como o isolamento retira hipóteses de desenvolvimento e provoca a desertificação da ilha. Torna mais caro o custo de vida, aumenta o custo dos factores de produção, estrangula o empreendedorismo e limita as potencialidades da ilha.
Transformar os Açores numa região económica, com um mercado interno que valoriza as produções locais pode significar a diferença e o salto qualitativo de que a ilha precisa.

Assim não!!!

Falatório

Vasco Cordeiro afirmou em S. Jorge "a necessidade das entidades públicas regionais “continuarem a desenvolver uma aposta muito forte na criação de emprego..."

Segundo a estatística mensal de Dezembro de 2011 relativa ao mercado de emprego: http://www.iefp.pt/estatisticas/MercadoEmprego/EstatisticasMensais/Documents/2011/Estat%C3%ADstica-Mensal-Dezembro11.pdf

No final de Dezembro havia 12869 Açorianos à procura de emprego.

Ofertas.... 9 (nove)!!!

Pois...

terça-feira, janeiro 31, 2012

Fundo de Maneio Eleitoral

A pobreza tem vindo a aumentar nos Açores. De nada serve negar ou jogar com números para tentar confundir. Além de ser um problema grave que deve merecer a atenção de cada um de nós, trata-se de um flagelo que impõe maior empenho e determinação por parte das autoridades governativas.
Sabendo-se que o desemprego aumenta a cada dia que passa, atingindo valores nunca vistos nos Açores, abrangendo, por vezes, a totalidade de agregados familiares que, de um dia para o outro, se vêem sem meios para sustentar a família e fazer face às obrigações assumidas.
Também a persistência de valores elevados de beneficiários de rendimento social de inserção, apesar do facto de muitos beneficiários abandonarem a medida, mas com outros tantos a necessitarem dela, deveriam ser razões suficientes para que o problema da pobreza fosse visto pelo Governo como uma realidade a necessitar de profunda reflexão e articulação com as diversas instituições da sociedade civil que se dedicam a minimizar os seus efeitos.
Se a negação de um problema, como aconteceu na passada semana com a Secretária Regional da Segurança Social a afirmar que não há mais pobres nos Açores, nada ajuda a sensibilizar a sociedade para a gravidade da situação, a ausência de estratégias objectivas e transparentes confirmam que quem se arroga de preocupações sociais, acaba por contribuir para o agravamento das dificuldades em enfrentar o problema.
O Governo dispõe de 12 milhões de euros num Fundo a que chamou de Compensação Social e que, a ver pela abordagem que se faz desta complexa realidade de pobreza por que passam muitas famílias, corre-se o risco de uma utilização eleitoralista e injusta, se não se procurar de facto ajudar quem necessita.
O referido Fundo deu já origem a um despacho conjunto da Vice-Presidência do Governo e Secretaria Regional do Trabalho e Segurança Social (Despacho n.º 1282/2011 de 15 de Dezembro de 2011) tendo sido criadas medidas para ajudar em situações de emergência social.
O dito Despacho levanta as maiores dúvidas sobre os critérios para a sua utilização e respectiva fiscalização, sendo lícito questionar se não surgirão situações como as de um célebre Fundo de Socorro Social que deixou má memória sobre a sua verdadeira utilidade no combate à pobreza.
Transformar este Fundo de Compensação Social numa espécie de Fundo de Maneio Eleitoral levará ao agravamento de muitas situações e a uma inaceitável injustiça social.
Não se pode atacar a pobreza sem reconhecer a gravidade com que ela se vai revelando nos Açores ou utilizando os meios ao dispor apenas a pensar nas eleições.

PSD GRACIOSA: COMUNICADO

PSD GRACIOSA: COMUNICADO

terça-feira, janeiro 17, 2012

E a verdade? Ganha eleições?

Com o inicio do último ano da legislatura, assistimos a um exercício de governação baseado na mais pura propaganda, e em actos que pretendem demonstrar acções positivas por parte do Governo Regional.
Já sabemos que o candidato socialista fará por aparecer ligado a esses actos, anunciando sempre mais qualquer coisa que, na opinião pública, tenha uma repercussão positiva, ou assumindo orientações que devam ser seguidas para a melhoria das condições de vida dos Açorianos.
Em contraste com as encenações cor-de-rosa em que participa o candidato do PS, os Açores vão assistindo a notícias que revelam o insucesso da sua prática governativa, especialmente no que respeita às politicas adoptadas para enfrentar os momentos difíceis que atravessamos.
Na verdade, a postura oficial do governo caracteriza-se pela intenção esmerada em não deixar que a verdade estrague uma boa notícia. É a velha e estafada forma de governar apostando na ilusão e na negação dos problemas e que levou o país a uma pré-bancarrota e a recorrer ao auxílio externo.
No fundo trata-se de fazer aparecer a imagem do governo associada a tudo o que eventualmente de bom surja na actual conjuntura, e não havendo nada de bom para revelar, passam os dias a reforçar recauchutadas promessas.
A estratégia é simples: tudo o que de mal existe é culpa dos outros, tudo o que de menos mau possa ser anunciado, prometido ou simplesmente notado tem, invariavelmente, a presença e o anúncio por parte do governo socialista.
Se o desemprego aumenta a um ritmo assustador, a culpa é da conjuntura! Tentando o governo lavar as mãos das suas responsabilidades e fazendo por não se notar que o ritmo desse aumento é muito superior ao do resto do país.
Se assistimos a notícias de responsáveis pelas empresas a alertar para os riscos de falências, o governo nada diz, não se vá notar que não se adoptaram as medidas adequadas para prevenir esses problemas.
Se as populações das ilhas mais frágeis continuam a sair dessas ilhas à procura de melhor futuro, não vemos o governo a tomar a dianteira no reconhecimento do problema e na procura de estratégias para evitar essa desertificação. O que se vai assistindo é um faz de conta que está tudo bem e lá vai mais uma promessa de uma obra desejada mas sempre adiada!
Quando os Açores mais precisam de um governo actuante e decisivo, o que temos é um governo em permanente campanha eleitoral, embuçado nos dotes de oratória e na retórica da ilusão do seu candidato, empenhado em estar longe dos problemas que afectam os açorianos para estar perto do folclore que caracteriza o exercício de poder eleitoralista.


Publicado no Diário Insular e Rádio Graciosa.

terça-feira, janeiro 10, 2012

O anunciador

O ano começou com a azáfama do candidato socialista, Vasco Cordeiro, herdeiro de um modelo de governação que o próprio ajudou a criar e sustentou nos últimos 16 anos.

Apesar de haver quem insista em apresentar Vasco Cordeiro como "renovação", o facto é que estamos perante alguém que foi membro do Governo nos últimos 12 anos, e antes disso líder parlamentar do PS.

Estamos, portanto, perante alguém que foi protagonista em 16 anos de governo e é produto político da estratégia do líder, e seu mentor, Carlos César.

Aliás, essa relação entre os dois políticos acaba por levar a que tenhamos assistido a algo que não se pensava possível num regime que se diz democrático. Falo, naturalmente, do facto de Vasco Cordeiro ter sido indigitado candidato sem se submeter a um verdadeiro processo democrático. Tratou-se de um processo nada abonatório das eventuais capacidades daquele sobre quem recaiu a escolha do poderoso líder, que assim pretende manter-se a comandar, talvez garantindo que as futuras escolhas partidárias que o seu sucessor terá de fazer não esqueçam alguém que da política faz exclusiva profissão.

Tem sido um corre corre por parte do candidato do PS, tentando fazer esquecer a sua célebre conta de telemóvel em que, num único dia, gastou 3300 euros a usar o telemóvel no estrangeiro.

Vasco Cordeiro descobriu uma nova forma de governar: faz anúncios! Ao visitarmos a página oficial da propaganda do Governo, a frase que mais se lia este início de ano era: "Vasco Cordeiro anuncia..."!

Mas o mais caricato nos anúncios de Vasco Cordeiro é o facto de anunciar coisas que nada têm a ver com a sua área de Governação. Aliás, Vasco Cordeiro especializou-se nos últimos tempos a falar de tudo menos das matérias que tem para resolver na sua Secretaria. Pudera, Vasco Cordeiro não tem nada de bom para dizer sobre a sua prestação enquanto governante e vai tentando passar o tempo a anunciar coisas que só irão ver a luz do dia lá para 2013, e de preferência que não seja nada sobre barcos ou passagens aéreas, porque nessas matérias, os anúncios celebrizaram-se pelo fracasso. Foi o anúncio da chegada do navio Atlântida para um 13 de Maio, talvez esperando uma aparição que nunca chegou a acontecer, ou os anúncios de que as passagens aéreas vão baixar mas que teima em não ter concretização.

Vasco Cordeiro vai-se especializando em anunciar! Anuncia o que as pessoas querem ouvir na esperança de conquistar mais umas simpatias, só anuncia coisas boas que permanecem sem concretização, ironicamente porque o seu Governo não as executou. Na falta de conseguir governar, fazem-se anúncios.

terça-feira, dezembro 13, 2011

Equidade Intergeracional

O Tribunal de Contas apresentou o seu parecer sobre a conta da Região relativa ao ano de 2010, tendo dado nota das suas preocupações e dos números que, afinal, não são bem o que dizia o Governo Regional.
Se para alguns a troca de argumentos no seio partidário, sobre as contas e os números dos gastos passados e futuros, pode levar à dúvida, a verdade é que quando se trata de um Tribunal, reputadamente independente das questões partidárias, a dizer o que diz o Tribunal de Contas, torna-se mais fácil perceber o que se passa de facto nos Açores quanto aos gastos e aos compromissos assumidos que a Região terá de pagar.
Das preocupações e dos números declarados pelo tribunal há algumas coisas que não podem deixar de ser ressaltadas pelo impacto geracional que representam: Ficou-se a saber que os Hospitais da Região estão em falência técnica, com a saúde a disseminar dívidas e tendo por consequência a dificuldade em receber confiança dos fornecedores. Igualmente no Sector Público Empresarial Regional (SPER), a preocupação do Tribunal é grande com as dívidas e os compromissos assumidos, tendo a Região crescido enormemente em número de empresas públicas e agravando-se de forma preocupante o seu endividamento.
Mas se isto nos espanta por significar que no futuro teremos mais encargos a pagar o que se deve, e menos recursos para fazer o que se exige, ficamos a saber que, afinal, a SCUT na Ilha de S. Miguel não vai custar nem os 325 milhões inicialmente anunciados, nem os 500 milhões recentemente assumidos, mas sim mais de 1200 milhões de euros. Uma pesada factura e uma herança que nos condicionará durante as próximas 3 décadas.
Também o Hospital da Ilha Terceira afinal não irá implicar um esforço de 139, mas sim de 378 milhões de euros.
Estas revelações feitas pelo Tribunal de Contas devem preocupar todos e cada um dos Açorianos que não querem que os Açores de hoje se tornem um encargo cada vez maior para os Açorianos da próxima geração.
Há um princípio que devia ser regra de ouro para qualquer Governo e que, a ver pelo que aconteceu no nosso país e pelo que está a acontecer à nossa Região, continua longe de ter expressão prática. É o Princípio da Equidade Intergeracional que, basicamente, propõe uma responsabilidade e um oportuno sentido de justiça entre gerações. Segundo este princípio, o que se deve prosseguir é uma situação em que a actual geração deixe para as gerações futuras uma igual oportunidade de desenvolvimento socioeconómico. Urge que os nossos governantes tenham em mente esse desígnio, sob pena da história não lhes perdoar a dívida que deixam aos nossos filhos.


Publicado no Diário Insular e Rádio Graciosa

terça-feira, dezembro 06, 2011

Gastam primeiro, perguntam depois!

Ao ler um artigo de opinião do líder parlamentar do PS na Assembleia Regional, publicado no Diário Insular do passado sábado, fiquei perplexo com a grosseria da linguagem e o despropósito dos lamentos públicos! Se é grave chamar cobarde a um opositor no calor do debate político em plenário da Assembleia, é de uma absoluta falta de nível fazê-lo na frieza de um artigo de opinião que só mancha o seu autor. Depois admiram-se das pessoas acharem que os políticos não servem para nada. E na verdade, se é para andarem apenas a ofender os adversários, não servem mesmo.

Mas veja-se até onde vai o disparate: Perante uma proposta de redução de gorduras nos gastos do Estado, em que o PSD apresentou, pelo seu líder parlamentar, um exemplo de uma fatura telefónica de milhares de euros, o PS entendeu fazer um escândalo por causa dessa fatura. Veio então, de forma teatral, o Secretário da Economia Vasco Cordeiro confirmar que só numa viagem que fez à Alemanha gastou 3330,96 euros de telemóvel. Mas se este gasto surpreende pelo excesso que representa, então o que dizer do facto do Secretário Regional ter afirmado que mandou rever o contrato com a operadora telefónica? Então não sabia qual o custo das chamadas feitas do estrangeiro?

Só se preocupou com isso depois de gastar o dinheiro?

Por outro lado, também é de realçar que o Governo dos Açores gastou em comunicações nos anos de 2009 e 2010 mais de 8 milhões de euros!!! Será que se preocuparam com o tarifário ou foi sempre a gastar?

Nestas coisas de gastos excessivos é sempre útil que se façam comparações com a vida real dos Açorianos. No ano de 2010, a média anual das pensões de mais de 50 mil açorianos foi de 3974 euros. Quer isto dizer que em apenas um mês, o Secretário Regional da Economia gastou quase tanto de telemóvel quanto os pensionistas dos Açores auferem em média durante um ano inteiro! E fê-lo sem cuidar sequer de saber quanto é que custava a utilização do telemóvel quando se desloca ao estrangeiro!

Era de bom tom que o Secretário Regional, ao invés de querer justificar o injustificável, pedisse desculpa aos Açorianos pelo tempo que já leva de governo regional em que fez este tipo de gastos com a leviandade de quem já exerce o poder há tempo demais. Mas já sabemos que isso não irá acontecer. O que lhe interessa é atacar quem alerta para este tipo de esbanjamentos e quem se apresenta como alternativa a este tipo de governação. Foram governos como este, que gastam primeiro e perguntam depois, que levaram Portugal, já por três vezes, à condição de pedinte. É bom que não esqueçamos isso!


Publicado no Diário Insular e Rádio Graciosa

terça-feira, novembro 29, 2011

Um novo modelo de desenvolvimento

Todos sabemos bem que o verdadeiro desenvolvimento dos Açores passa por reduzir a nossa dependência externa, equilibrando a nossa balança comercial, produzindo os nossos alimentos, importando menos e exportando os nossos produtos.

Essa vertente do nosso desenvolvimento assenta numa rede de transportes que sejam veículo de mobilidade de produtos e de pessoas, apostando num mercado interno que valorize e diversifique a oferta de cada uma das ilhas, para que a cada uma das outras seja dada a oportunidade de consumir o que é nosso.

Quem conhece a realidade das ilhas mais pequenas, com mercados menos competitivos, sabe bem que só com a existência de um alargamento desses mercados se pode ambicionar que na agricultura, nas pescas ou na industria, se possa apostar na produção, valorizando a respectiva cadeia de valor, permitindo a criação de riqueza e de emprego, que são a locomotiva para a fixação de pessoas e o regresso dos nossos jovens á sua ilha.

Este processo e esta visão de um futuro de sucesso para os Açores foi exposto com clareza por Berta Cabral na sua recente visita à ilha Graciosa.

Como é que podemos aceitar que seja mais fácil e barato adquirir em S. Jorge produtos do Continente ou da América do Sul, do que idênticos produtos provenientes das Flores ou da Graciosa? Como é que se explica que seja mais barato comercializar na Graciosa frutas e legumes vindos do exterior quando a ilha tem inegáveis condições para os produzir? Onde que que se falhou para que isto aconteça?

A resposta está no modelo de desenvolvimento que não foi capaz de criar um mercado interno com suficiente dimensão para tornar possível o investimento na produção e na transformação dos nossos produtos.

No futuro esse caminho terá de ser percorrido com a visão de quem vai dando sólidas provas de ter um verdadeiro projecto de desenvolvimento sustentável para os Açores.

É claro que quem nos vem governando há já 15 anos vive na ânsia de se afirmar como alternativa dos seus próprios erros. Mas não basta copiar as boas ideias e os bons projectos para o futuro dos Açores! Aqueles que sempre souberam que o caminho nunca poderia passar ao lado da mobilidade e da proximidade nas relações comerciais entre as diferentes ilhas, mas que falharam nesse objectivo, não serão parte da solução, sendo, isso sim, parte do problema.

A mudança protagonizada por Berta Cabral assegura que a próxima Presidente do Governo tem o conhecimento e a visão necessárias para inverter o processo de desertificação que atormenta o futuro das ilhas mais pequenas.

Publicado no Diário Insular e Rádio Graciosa

terça-feira, novembro 22, 2011

Horários da SATA com a Graciosa

Que os horários de inverno da SATA para a ilha Graciosa não servem as necessidades da ilha e são entrave à mobilidade e ao desenvolvimento já ninguém tem dúvidas. São inúmeras as queixas que vamos ouvindo e não há quem consiga fazer um único elogio, nem envergonhado, à frequência e horários neste inverno. Ninguém, excepto o Governo Regional!
No passado dia 19 de Setembro, bem antes do início da operação de inverno da SATA, enquanto deputado regional, fiz um requerimento em que questionei o Governo sobre os horários da SATA de e para a ilha Graciosa e se o Governo ponderava dar orientações para que a situação fosse corrigida.
Dois meses depois, já em plena execução dos actuais horários de inverno, o Governo veio responder às perguntas formuladas dizendo, em síntese, que os horários são o que são e a grande medida é que quem chega de Lisboa tem sempre ligação diária para a Graciosa!
Mais, diz o Governo que as Câmaras Municipais dão a sua opinião com antecedência.
Não conheço o teor do parecer da Câmara Graciosense mas não me admiro que, das duas uma, ou acham que está tudo bem. o que não quero acreditar, ou deram um parecer que não foi minimamente atendido, o que espero tenha sido o caso para, pelo menos, termos a consolação de ver a Câmara Municipal a defender os interesses da ilha.
Parece que o Governo Regional ainda não percebeu, e não parece que venha a perceber, que as ligações aéreas com a Graciosa, em especial no inverno, não se bastam com um consolo de saber que quem vem de Lisboa chega no mesmo dia à Graciosa. É que, quem sai da Graciosa para muitas outras ilhas não chega no mesmo dia e quem vem de algumas ilhas para a Graciosa também tem de pernoitar.
Também é importante que não se percam horas intermináveis nos aeroportos regionais para chegar à Graciosa.
As consequências de uma política de mobilidade interna e externa que já deixámos de tentar perceber vão-se sentindo na Graciosa. Vão-se conhecendo notícias de grupos que cancelam fins-de-semana na Graciosa e vão aumentando os custos indirectos com as ligações que os Graciosenses fazem.
Com voos às sextas e segundas, ao final da manhã, aos sábados ao final da tarde e domingos depois do almoço não há opções que resistam! Há muito menos oportunidades de fazer chegar quem queira passar um fim-de-semana na Graciosa ou permitir que um Graciosense se possa deslocar a outra ilha dos Açores sem perder dias de trabalho.
A opinião é quase unânime: estes horários não servem para o nosso desenvolvimento e mobilidade. Resta esperar por um Governo que compreenda essa realidade!

Publicado no Diário Insular e Rádio Graciosa

terça-feira, novembro 15, 2011

Mais um Plano, o último!

O Governo Regional e o Partido Socialista preparam-se para aprovar o seu último orçamento e plano anual regional.
Já, em outras alturas, alertei para o esquecimento a que a ilha Graciosa vem sendo votada nos sucessivos planos regionais.
Naturalmente que, com 16 anos de poder, algumas coisas foram sendo feitas que agradaram aos Graciosenses que, democraticamente têm votado maioritariamente na continuidade de Carlos César.
Mas a verdade é que, com o decorrer dos anos, é cada vez mais notória a insuficiência de políticas e de investimentos que evitem o êxodo de ilhas como a Graciosa, e que não institucionalizem o envelhecimento da população e a desertificação como fatalidade futura.
A realização de algumas obras emblemáticas ao longo de 16 anos não pode continuar a servir de desculpa para o fracasso nos resultados de sustentabilidade das ilhas mais distantes, ou mais vulneráveis aos fenómenos que uma crise económico-social provoca.
Claro que aqueles que suportam o actual Governo Regional atiram sempre com a questão: Então isto não foi bem feito? E aquilo não foi bom?
Claro que sim, claro que houve aspectos que ressaltam pela positiva numa análise direccionada à apreciação do pormenor.
Mas essa análise acaba por ser desmentida por uma apreciação global dos resultados obtidos com esta forma de fazer política e de gerir os Açores. No fundo é uma abordagem que se deslumbra com a árvore mas que esquece a floresta.
Mais uma vez, e por mais um ano, neste caso o último, o Governo apresenta um plano anual para a Graciosa que consagra a teoria política de gestão de expectativas. Limita-se a inscrever algumas promessas eleitorais com verbas irrisórias ou apenas em projecto, como o caso da prometida marina que tem apenas 57 mil euros orçamentados, ou o caso do novo matadouro que não passa de um projecto, ou ainda da estrada Limeira-Porto Afonso que em conjunto com a rotunda do novo Centro de Saúde têm apenas inscritos 380 mil euros!
Por outro lado, ou se quisermos, pelo lado que mais nos interessa em termos de aproximar a Graciosa do resto dos Açores, o Governo já desistiu de inverter o rumo das políticas de mobilidade de pessoas e bens, dependentes em exclusivo dos transportes aéreos e marítimos. E inverter esse rumo significa mudar de estratégia e consagrar também parte das receitas dos impostos de todos os Açorianos em verdadeiras políticas de coesão, que diminuam as assimetrias e possibilitem, à ilha Graciosa, uma nova esperança de fixação de gentes e criação de riqueza.
Não perceber isso é continuar a falar da obra feita, mas esquecendo que ela se dirige às pessoas.


Publicado no Diário Insular e Rádio Graciosa