Na ilha Graciosa faz falta discutir o futuro, propor alternativas, opinar, ouvir, exigir e procurar alcançar o bem comum. Este espaço pretende dar um contributo. Não teremos sempre razão nem seremos donos da verdade, queremos apenas ser uma pedra no sapato da inércia, da falta de visão e imaginação, do imobilismo estratégico e da cultura do "yes man". Temos uma tarefa difícil, temos de partir muita pedra mas não nos importamos, o burgalhau é sempre útil!
quarta-feira, maio 14, 2014
Opiniao: Culpa com álibi
segunda-feira, maio 12, 2014
Opinião: Cartão vermelho e cartão de crédito
sexta-feira, maio 02, 2014
Opinião - POA: Pib Ou Açores
terça-feira, abril 29, 2014
quinta-feira, abril 24, 2014
quarta-feira, abril 23, 2014
Opinião: Não há desculpa que lhes valha
O Governo Regional escolheu a Ilha Graciosa para a sua primeira visita estatutária de 2014.
Por sinal, a viagem decorreu no início da Semana Santa, o que, convenhamos, é um sinal de verdadeira penitência perante a ilha e os seus habitantes.
Mas o Governo não é de arrependimentos e o longo jejum dos Graciosenses já não se compadece com visitas em que, no final, tudo é mais uma vez adiado para oportunidade futura.
Se a visita seria de penitência, o que não se confirmou, já os pecados governamentais deste Governo do PS são mais do que muitos em relação aos Graciosenses e, o pecado original, é já uma novela de mau gosto, com um actor principal de nome Vasco Cordeiro.
Na Graciosa falar da Marina da Barra é já assunto com muitos fascículos que animam o imaginário colectivo.
O nome do Presidente do Governo está associado a uma grande parte da história e, para aguçar o apetite para os próximos capítulos, veio agora com a tese de que aquela obra só estava atrasada por culpa, imagine-se, de "instituições da República!".
Com desmesurada desfaçatez o Presidente do Governo provocou a gargalhada geral que ecoou pelas 4 freguesias da ilha, ou não fosse a Marina da Barra o pecado original deste Presidente e deste Governo de 18 anos PS.
E logo Vasco Cordeiro a dizer que a Marina só não estava a andar por culpa de outros. Logo ele que enquanto Secretário da Economia mandou colocar um cartaz de 8 por 3 metros na Baía da Barra, onde se lia: "Construção da Marina da Barra e requalificação da envolvente"!
Claro que se estava nas vésperas das eleições de 2012, mas já antes disso o pecado do PS sobre este assunto estava bem presente pois estava no fim uma legislatura (2008/2012) em que aquela obra era promessa eleitoral e Vasco Cordeiro já havia garantido que era uma obra para acabar naquela legislatura.
Afinal, Vasco Cordeiro não é mais um inocente que acreditou nas conversas do PS, não, ele foi neste processo o verdadeiro obreiro de uma mentira de anos que andou a ser atirada, de responsabilidade da Câmara eleita em 2009 com novo projecto de marina, avalizado por quem... Por Vasco Cordeiro.
Depois, já nem Vasco Cordeiro nem o PS Graciosa sabiam quem fazia a obra. Uns faziam projectos, outros pagavam projectos, uns colocavam cartazes outros faziam estudos. Já ninguém sabia ao certo quem afinal era "o pai da criança"!
Já com uma novela de muitos momentos de infelicidade para a ilha Graciosa, que já sente desdém pelo que lhe andam a fazer, ficaram todos a saber que Passos Coelho, afinal, também andou a atrasar a obra que os Graciosenses ouvem os socialistas falar, há já quase seis anos.
Vasco Cordeiro já fez várias marinas na ilha Graciosa, umas ficaram pelo papel outras pelo cartaz. Em plena Semana Santa, Vasco Cordeiro fez mais uma marina na ilha, a marina de Passos Coelho.
Muitos mais pecados tem este Governo na falta de rumo que leva a Graciosa, muitos mais com maior importância como o matadouro ou a mobilidade e transportes. Mas o da Marina da Barra não há desculpa que lhes valha!
sexta-feira, abril 18, 2014
OPINIÃO: Emergência Social - das palavras aos atos
Numa situação de emergência social a resolução de problemas não pode ficar dependente da discussão de teorias, de conceitos ou de estratégias a médio e longo prazo.
Essa discussão, que tem sido ignorada nos últimos anos pelo poder regional, levou a que hoje seja necessário acudir a casos que necessitam de urgente resolução e que são, também, consequência de uma longa agonia que a região tem teimado em não ultrapassar.
O PSD/Açores, consciente desta realidade, convocou o parlamento para um debate de urgência sobre a grave crise que se vive nos Açores apesar do governo regional - sob a batuta de Sérgio Ávila e a aprovação de Vasco Cordeiro - continuar a querer passar uma imagem de grande competência na condução dos negócios da governação.
Mas a urgência do debate não se limitou, para o PSD/Açores, a um diagnóstico da situação. Mais do que isso, apresentaram-se algumas áreas onde, desde já, o governo regional pode atuar de forma a minimizar alguns dos efeitos da crise social.
Desde logo, porque é notório que as IPSS dos Açores estão a ser levadas a um esforço extremo no auxílio às famílias em dificuldades, é necessário que a aplicação do novo modelo de financiamento não coloque essas instituições também em dificuldades. Defendemos, por isso, uma majoração transparente dos acordos de cooperação, quer em função da massa salarial que é suportada pelas IPSS e que, lembremos, são dos maiores empregadores da Região, tendo contratado sempre com o aval governamental, quer ainda em função do património das instituições que está ao serviço da região.
O cumprimento, pelas IPSS, de uma função do Estado, não pode ser tratado como este governo tem vindo a fazer, e por isso é necessária uma abordagem mais coerente e séria com o que efetivamente está em causa e que é o apoio aos mais carenciados.
Por outro lado, na área educativa, defendemos que o Governo cumpra com o apoio e acompanhamento das crianças e jovens com necessidades educativas especiais, cujas equipas multidisciplinares ora não existem ou estão incompletas. Há jovens nos Açores prontos a ajudar neste trabalho e que são técnicos formados com qualidade que estão desempregados, porque o Governo não cumpre com esta obrigação de combate à exclusão e apoio a famílias que necessitam efetivamente deste apoio.
Para além disso, defendemos igualmente, no campo económico e empresarial, que o Governo não deixe de ter em atenção que a adjudicação de obras públicas por preços irrealistas apenas leva a dificuldades futuras e ao recurso de trabalho precário e mal remunerado, deixando as empresas açorianas, muitas vezes, impedidas de concorrer levando ao seu encerramento e a mais despedimentos.
Acresce ainda que, como urgente, fizemos igualmente notar que a falta de pagamento, por parte do governo, das dívidas para com as empresas dos Açores está a gerar mais desemprego e falências, num verdadeiro efeito de bola de neve.
Há muito a fazer, mas se pagassem o que devem, já era uma grande ajuda!
(Rádio Graciosa, Diário Insular, Açoriano Oriental)
quarta-feira, abril 16, 2014
quinta-feira, abril 10, 2014
Opinião
Do PECA ao PIT... planos eleitorais
Já perdi a conta à quantidade de "Planos" que o Governo dos Açores tem apresentado como solução para os problemas dos açorianos.
Há planos para tudo e quem vai estando atento quase sempre acaba por ver que não se conhecem consequências da sua eventual aplicação.
Depois, há os planos que nunca chegam a ser aplicados e nestes, geralmente, destacam-se planos que incidem sobre aspectos importantes da vida dos Açores e dos açorianos.
Lembro, por exemplo, o famoso PECA - Plano Estratégico para a Coesão dos Açores - que a única luz do dia que viu apagou-se com a sua apresentação.
Era um plano muito bonitinho, recheado de grandes preocupações com as assimetrias regionais e que iria dar um grande contributo para a coesão dos Açores.
Mas os anos foram passando e nem sequer se sabe o que fez desse plano o seu autor Sérgio Ávila, à data Vice-Presidente do Governo e hoje Presidente-vice do mesmo Governo.
Entretanto, as ilhas estão, cada vez mais, de costas voltadas. E pior do que isso, estão cada vez mais desiguais, com as mais pequenas cada vez mais desertas e envelhecidas e outras, que apesar de algum rejuvenescimento da população, estão com um crescendo de problemas sociais e económicos.
Se havia um "Plano Estratégico para a Coesão dos Açores" das duas uma: ou nunca foi aplicado ou, simplesmente, falhou em todos os seus objectivos.
O PECA era um dos mais importantes planos de estratégia de desenvolvimento dos Açores, das suas nove ilhas e das suas diferentes realidades. Com o seu fracasso não fracassou apenas Sérgio Ávila e o PS Açores, mas sim toda a política do Governo com o objectivo a que se tinha proposto.
Mas tal como desapareceu o PECA - e com ele a estratégia política de coesão dos Açores - aparece agora o PIT (Plano Integrado dos Transportes) que só perdeu a palavra "Açores" por uma questão de marketing político pois PITA seria um acrónimo muito susceptível a piadas de gosto duvidoso, tal como tinha sido o PECA que se associado a PITA podia trazer amargos de boca ou podia acabar em Plano Estratégico dos Transportes dos Açores - PETA!
O PIT nada tem de planeamento e o périplo do Secretário dos Transportes, pelas ilhas onde o tem apresentado, tem revelado a sua total desorientação em lidar com um dos assuntos que mais "mexe" com os açorianos - os transportes! Depois do PECA, o PIT seria a nova menina (salvo seja) dos olhos do PS Açores, mas tal como o PECA, o PIT não é mais do que uma estratégia de marketing eleitoral, para ir rendendo até 2016, acalentando sonhos de, um dia, os Açores terem entre as suas ilhas mobilidade de carga, passageiros e viaturas, funcionando como um verdadeiro mercado interno.
O PIT não tem prazos, não tem custos, logo não tem estratégia. E um "plano" sem estratégia é apenas um desorganizado de ideias.
Na Graciosa, segundo notícias, o PIT foi simplesmente ignorado e adaptado aos interesses políticos do momento de acordo com aestratégia eleitoral do PS. Prometeu-se um melhor futuro nos transportes, lá para 2016 claro!
(Rádio Graciosa, Diário Insular, Açoriano Oriental)
sábado, março 29, 2014
Exportação de uma geração - uma via açoriana!
Os Açores continuam a ser notícia pelo aumento dos desempregados inscritos, em contraciclo com o resto do país.
O desemprego jovem atinge metade dos jovens em idade ativa. É um flagelo social com todas as funestas consequências que se vão alastrando e que não auguram nada de bom para o futuro da região. As novas gerações são as mais bem preparadas de sempre, todos o afirmam. Mas são cada vez mais os jovens que embarcam na necessidade da emigração, por terem perdido a esperança de encontrar soluções de futuro na sua terra.
Recentemente, fomos brindados com mais um anúncio do Governo que promete assegurar, para os jovens, uma colocação num prazo de 4 meses.
É mais um programa ocupacional, entre tantos outros que, vá-se lá perceber, o PS Nacional e o seu líder criticam abundantemente lá fora, mas que cá proliferam recheados de orgulho socialista!
Já se perdeu a conta ao número de anúncios que o governo e o PS, em particular a JS, têm feito de soluções, mais ou menos, milagrosas para os jovens dos Açores. Uma qualquer pesquisa na Internet pelos termos "Açores emprego jovem JS" revela a quantidade de marketing político que o atual poder regional tem vindo a fazer com este problema. São programas, manifestos, declarações e propostas legislativas para todos os gostos e ocasiões.
Os jovens açorianos têm sido sucessivamente enganados, sendo levados a acreditar em mais uma manobra de propaganda destinada a criar expectativas que, invariavelmente, não se concretizam.
Como se não bastasse, a falta de equidade intergeracional do atual poder regional - que deixará para as gerações futuras uma enorme fatura para pagar em PPPs e quejandos - os jovens que hoje são empurrados para fora da região ainda têm de levar com o recorrente conjunto de promessas e programas, verdadeiras falácias em torno da sua vontade em encontrar na região uma oportunidade de retribuírem com os seus conhecimentos o investimento, feito pelos seus pais, na sua formação.
A transportar as bandeiras da publicidade enganosa que, ciclicamente, é dirigida aos jovens açorianos, vão aparecendo aqueles a quem não toca a dificuldade de procurar realização profissional. Geralmente são os que menos formação e competências demonstram mas que, submissamente, juram a pés juntos que mais um programa e mais uma iniciativa irá responder aos anseios dos seus pares. Por vezes, até oferecem umas inscrições na juventude do regime instalado, há 17 anos, como uma espécie de carta de referência para o sucesso profissional.
A cada dia que passa cresce o número de jovens que emigram para não engrossar, ainda mais, as filas do desemprego regional. Muitos outros acrescentam, sem culpa formada, mais dificuldades a agregados familiares já, excessivamente, afetados pela maior crise social da democracia autonómica.
Há um programa não anunciado e em execução nos Açores: a exportação de uma geração!
quarta-feira, março 26, 2014
segunda-feira, março 24, 2014
Horários da SATA sempre contra a Graciosa
quarta-feira, março 19, 2014
quinta-feira, março 13, 2014
A mentira tem perna curta
sábado, março 08, 2014
quinta-feira, fevereiro 27, 2014
quarta-feira, fevereiro 19, 2014
Opinião
Milagre
Paradoxalmente, tornou-se confortável para quem governa os Açores poder atribuir os males do drama social que se vive, na região, ao processo de ajustamento do país.
De uma forma geral, vai havendo quem, nos Açores, pretenda que acreditemos que o modelo de desenvolvimento implementado na região gera a felicidade geral e que, por causa do empobrecimento do país, não se cumpre o paraíso atlântico.
Contraditoriamente, os 17 anos de gestão de milhares de milhões, em nenhum momento, conseguiram atingir indicadores sociais que superassem o continente.
Acrescente-se, por mero realismo, o facto de nos últimos anos, os da austeridade que arrasam a prosperidade de Portugal, não terem conseguido fazer os Açores aproximar-se das médias de um país sequestrado.
É, por isso, estranho, que se ande a dizer a uma região autónoma que a actual geração de jovens que entram na vida activa terá de imigrar para encontrar as oportunidades que, nos Açores, são consumidas pelo modelo de desenvolvimento assente num ciclo vicioso de dependência de apoios sociais.
Os Açores, da via do actual governo, complementam os fracos recursos de um largo número dos seus cidadãos e, apesar disso, continuam na cauda do país em termos do rendimento médio dos seus agregados familiares.
O Estado Regional apodera-se da economia e vai aglutinando a sociedade, mas o resultado é um desemprego que só tenderá a regredir à custa da imigração e de uns quantos programas ocupacionais.
E vamos, continuamente, sendo piores em conquistas sociais, revelando que a governação e gestão dos últimos 17 anos não foi capaz de tornar os Açores habilitados a eliminar as desigualdades em que vive o seu povo.
Mas se a simples realidade chocar contra quem vai gerindo e procurando sobreviver no poder, as fabulações são recorrentes.
Somos os melhores em tudo, apesar de apresentarmos os piores resultados!
Para quem tem o privilégio de governar uma região singular como os Açores, e a quem foram entregues meios nunca vistos, inundados de vantagens e oportunidades, é particularmente complicado demonstrar as razões para a persistência do insucesso do modelo a que chamaram "via", apoderando-se da alma "açoriana".
Tem restado a possibilidade de fazer render a massiva publicidade nacional contra o governo da república, aproveitando para colar os repetidos fracassos regionais à contestação generalizada a uma austeridade que, curiosamente, até foram os próprios que provocaram.
Porém, em contrapartida, insiste-se pela sustentabilidade deste modelo e consagra-se a sua própria perpetuação, apesar de manter níveis de pobreza e desigualdade inaceitáveis.
É algo que não tem explicação. E algo que não tem explicação só pode ser milagre.









