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Santa Cruz da Graciosa

quinta-feira, março 04, 2010

Ampliação do Museu da Graciosa - estética "contra legem"

Avança a olhos vistos a obra de ampliação do museu da Graciosa, polémica quanto baste ou não tivesse havido um abaixo assinado com cerca de mil assinaturas a contestar o projecto.
Já venho dizendo que é uma obra necessária e que nessa medida não vale a pena sequer insinuar que não quero que seja feita.
A questão que leva à contestação desta obra tem que ver com a "moderna" arquitectura e a sua localização, bem no centro da Vila classificada de Santa Cruz, paredes meias (literalmente), com um antigo solar e uma habitação mais recente mas, diga-se, bem inserida no conjunto arquitectónico.
Esta obra de ampliação, certamente, seria menos problemática se se tivesse escolhido um local mais amplo e, ainda que relativamente central, não se impusesse à traça antiga e preservada, até por lei, da Vila sede de Concelho.
Mas optou-se por "encaixar" esta obra num pequeno espaço, dando - à medida que a mesma ganha dimensão - a ideia de que foi, na verdade, uma má opção.
Independentemente da questão estética e da suposta modernidade, ou da marca do nosso tempo que se pretende deixar - tudo isso discutível e controverso - a obra de ampliação do museu não se conforma com a lei de urbanismo deste país e desta região. As paredes meias com os edifícios que a ladeiam fazem com que o vizinho ao abrir a janela dê de caras com uma parede sombria e, pasme-se, num dos casos não distará mais do que um metro e pouco.
Mais do que tudo o que se possa afirmar em favor da contemporaneidade do novo edifício, este viola grosseiramente o Regulamento Geral das Edificações Urbanas, viola o direito privado e causa um mal estar geral na população onde o que mais se ouve é que o Governo pode fazer o que quer e não há lei que se aplique, enquanto os privados estão sujeitos à mais impiedosa aplicação da lei. Seja a lei dos edifícios, seja a lei da Vila classificada.
E a somar a isto está uma Direcção Regional da Cultura, zeladora da lei que classifica Santa Cruz e que tantos pareceres negativos deu à mais simples das operações urbanísticas, que teve a policarpa iniciativa de demonstrar toda a força do Estado Regional, acima de qualquer lei, para deixar uma marca intemporal (se não pela obra, pela polémica causada)!
Se fosse apenas pela estética, a conversa era de moda e dos conceitos que a mesma incute na projecção de novos edifícios, mas a questão vai além do impacto visual, vai além do simples gosto de cada um e demonstra a insensatez de quem se deixou de importar com o mais simples dos conceitos democráticos: de que o estado está ao serviço dos cidadãos e de que a lei é igual para todos!

Publicado no Diário Insular de Terça-feira 2/03/2010

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