+Desemprego +RSI +Pobreza
Recentemente foram divulgados mais dados sobre o constante aumento do desemprego nos Açores e o exponencial aumento dos beneficiários do rendimento social de inserção.
No último ano, o desemprego nas ilhas passou de 5,2%, no 4º trimestre de 2008, para os actuais 7%.
Em Setembro estavam inscritos 944 trabalhadores nos centros de emprego da Região, elevando para 4744 o número de desempregados, sendo os Açores a 3ª região do País com maior aumento de desemprego no último ano.
No RSI (rendimento mínimo), a região passou a contar, desde Janeiro, com mais 610 famílias beneficiárias, fazendo aumentar o número de beneficiários em 1903 novos pobres só no decorrer deste ano.
Somos a 5ª região do País com mais beneficiários, apenas atrás do Porto, Lisboa, Setúbal e Braga.
A par desta realidade, vieram a público preocupações de ONGs que revelam um aumento substancial daqueles que recorrem ao seu auxílio humanitário.
Está em crescendo a realidade da pobreza e da fome nesta "Região Europeia do Ano de 2010".
No Governo assobia-se para o lado. Sendo até ofensivo virem o Director Regional do Trabalho e o Vice-presidente do Governo alegrarem-se por estarmos melhores do que outros.
É a pobreza de espírito.
Os pobres, os novos pobres, os novos desempregados, e os de longa duração, não se alegram nem se reconfortam com a desgraça alheia, nem o mal dos outros lhes resolve qualquer problema.
Grande parte desta realidade é justificada com a crise.
A tal crise que não chegaria através do voto cor-de-rosa e cujo fim é publicitado enganosamente (são os números que o desmentem).
Enumerar e reconhecer um problema é, para o Governo, um exercício desnecessário e inconsequente.
À vista, e com consequências trágicas, está a falta de resultados e a ausência de um modelo de desenvolvimento voltado para a criação de riqueza e a consequente criação de emprego.
Depois de anunciadas e implementadas as medidas de combate à crise, e depois de se ignorarem outras propostas, sob a aparência de um desenvolvimento sustentado, chega-se à conclusão de que em nada se conseguiram melhores resultados pela acção do Governo.
Se era possível minimizar alguns efeitos de uma crise mundial, descobre-se agora que o mais difícil é sair desta crise, que também já é de valores, começando a ser impossível esconder o deplorável estado a que nos conduzem, pela insensatez e imprudência.
Assim, não se vai lá.
A formação, a diversificação e a inovação a par de uma aposta consistente no sector produtivo e no mercado interno são caminhos que não podem continuar intransitáveis se queremos ser orgulho do desenvolvimento europeu.
Publicado no Diário Insular de Terça-feira dia 17/11/2009
GraciosaOnline
Agora os videos da Graciosa e reportagens RTP/A estão também em www.rtp.pt/graciosaonline.
Uma excelente iniciativa do Reporter de Ilha Luís Costa
AGONIA

Ouvindo as notícias de mais uns “truques” praticados pelo Presidente do Governo, em coligação com o Presidente do PS Açores, surge uma imagem de agonia.
Carlos César agoniza perante a orfandade que se seguirá à sua saída.
É um Presidente sem esperança e sem fé na sua família política.
Na família socialista encontra-se o desespero presidencial. É um líder sem generais!
Por isso dedica-se ao tacticismo, algo medíocre, diga-se, quase primário.
Todos sabem o que quer e onde quer chegar.
César sabe que sem a sua autoridade o PS entra em colapso com o Governo. O PS sucessor de César não é capaz de coexistir com o Governo deste.
César não confia em ninguém, nem nos seus próprios mancebos, sempre candidatos a uma recruta, preparados mas não “prontos”.
Em contrapartida, ninguém confia em César!
Vive-se no PS Açores uma época conturbada!
Agonizante perante a desconfiança que tem de todos, César quer ser omnipresente, quer centralizar e controlar a sociedade civil. Só assim sente que poderá entregar o poder ao PS.
César demite quem o incomoda. César sectariza, manipula, divide... mas não pode Reinar. Pelo meio, ninguém é suficiente no PS para assumir o inevitável, ninguém se chega à frente.
César já sabe que não será recandidato, já o sabia quando tentou que o PS tivesse outro líder. Só que ninguém apareceu.
A solução que encontrou foi criar a fusão entre o Estado e o Partido.
As atitudes do Presidente do PS sobrepõem-se ao Presidente do Governo, e o Presidente do PS só pensa na sucessão do Presidente do Governo que não encontra dentro da casa socialista.
Nesta estratégia de perseguição à oposição (seja dos partidos ou da sociedade civil), sem ter ninguém à sua volta que se habilite (ou que por isso o mereça), há sempre um senão: O cansaço que os Açores têm do cerco de dependência social(ista), económica e política que hoje se vive nas ilhas.
Dependência de um favor do Governo, de uma palavra amiga, dependência de uma decisão, de um despacho, ou de uma qualquer benesse, como se isso fosse imutável, intemporal ou inevitável.
Esse cansaço tem tirado a paciência ao Presidente do Governo. Já só lhe importa o seu partido e a ausência de uma solução.
Já nem há coragem dentro do PS de querer suceder a César.
Depois de mais de década e meia no poder, César secou o PS. Não tem sucessor!
São todos, são três ou quatro, são alguns, não! Não é nenhum. Nenhum é capaz de o ser.
Na sociedade e mesmo dentro do PS ninguém identifica um sucessor.
César muito menos.
É uma agonia!
(publicado no Diário Insular de Terça-feira, 10/11/2009)
Espinhos
O Governo Regional aprovou, em Novembro de 2005, a construção de 4 (quatro) navios de passageiros, naquela que foi a profecia de mudança (mais uma!) para o sucesso de uma operação em que as rosas teimam em criar espinhos.
Quatro anos e trinta e tal milhões de euros mais tarde, sem dinheiro e sem navios, teremos, finalmente, a oportunidade de apurar por que fracassou o transporte marítimo de passageiros e por que razão ainda ninguém sabe quem são os responsáveis por este calamitoso negócio, delineado por uma empresa pública regional às ordens da tutela.
A criação de uma comissão de inquérito ao transporte marítimo de passageiros é como um espinho brotando numa mão fechada, descobrindo aquilo que tanto temiam confessar antes de um período eleitoral.
Foi o próprio Partido Socialista quem denunciou ser imprudente avançar com uma comissão de inquérito ao transporte marítimo antes das eleições.
E por que se aprova agora a sua constituição?
Quando a comissão foi proposta pela oposição, cabia ao PS aprovar ou atrasar.
Fizeram o que mais lhes convinha, atrasaram.
Sabe-se agora (já se sabia!): - foi por causa das eleições!
Neste processo o governo vê dezenas de milhões de euros desaparecer dos cofres da região, e outros tantos gastos em concursos de frete.
Já do frete que é cuidar de tanta incompetência, terá de haver responsáveis.
E os tais trinta e muitos milhões, cuja devolução o governo garantia com um simples estalar de dedos passaram, depois de uns quantos pareceres e conselhos avisados, a ser negociáveis!
O Governo já deu o seu assentimento em formar um tribunal arbitral para decidir o valor dos erros de cada um (Estaleiros, Atlanticoline e Governo). Talvez pagando todos pelos erros concebidos pela incompetência dos parceiros.
Cabe ao Parlamento demonstrar que é capaz de ser juiz em busca de algo mais do que alguns milhões de euros: Conhecer a verdade. Descobrir o porquê deste insucesso, o porquê deste fracasso, e por quem, afinal, se pedirá: Clemência!
Pode ser que todos queiram que tudo se saiba, que tudo se apure.
Pode ser que, pelo menos, não continuem a atrasar a verdade e a fazê-la depender dos melhores momentos de distracção geral.
O PS tem agora o dever de deixar a comissão de inquérito fazer o seu trabalho, livre das suas estratégias eleitorais e do seu oportunismo político.
Os espinhos, esses, vão aparecendo à medida que a rosa, inebriada no seu próprio perfume, vai perdendo a frescura e o encanto.(publicado no Diário Insular de Terça-feira, 3/11/2009)
Defraudados
Mal vai o ensino quando os alunos não são a principal fonte de preocupação e de atenção.
Há alguns anos, foi decidido abrir novos cursos profissionais na ilha Graciosa. De entre eles destacavam-se os cursos de Higiene e Segurança no Trabalho e o de Turismo.
A todos esses jovens que tinham pressa em obter uma especialização e que ansiavam iniciar uma profissão, foram garantidas colocações e certificações.
Mas se essas promessas foram feitas, com o tempo foram esquecidas. Este tornou-se um caso onde vinga o trivial slogan: "compromisso assumido, compromisso esquecido!".
Se por um lado, os formandos do curso de Turismo foram confrontados com a redução para pouco mais de metade dos prometidos empregos no novo Hotel da Graciosa, que o Governo não soube incentivar para esse propósito, por outro lado, no curso de Higiene e Segurança no Trabalho, nem sequer houve o cuidado de garantir a sua certificação.
Não fora os alertas em tempo útil, e os alunos terminariam esse curso "apenas" com a respectiva equivalência ao 12º ano. É que, quando se inicia uma formação profissional, se não a quisermos menorizar, conta-se que no final o formando esteja apto, e devidamente "certificado" para o desempenho de uma profissão.
Mas assim não sucedeu.
A solução, ao melhor estilo do "não rima mas encosta", foi fazer deslocar, um dia destes, os alunos para outra ilha, para assim obterem a respectiva certificação.
Não deixa de ser caricato que se afirme que os alunos em nada saem prejudicados, pois terão todas as despesas pagas e que, por isso, não haverá qualquer transtorno. É obvio, se descontarmos a ausência de casa, o ficar longe da família e dos amigos, e todos os constrangimentos de sair da sua ilha para completar um curso que devia começar e acabar ali, ao virar da esquina, pois, claro que não haverá quaisquer transtornos. Descontemos, também, que as despesas serão todas pagas pelos cofres da região, que é como quem diz, pelos contribuintes, que continuam a assistir a uma recorrente e inominada incompetência pública.
Mal vai também o ensino nesta nossa Região quando uma qualquer queixa sobre um comportamento reprovável de um profissional de uma escola tenha de ser apresentada por escrito. Talvez seja hora de reflectir sobre as consequências de alguém não ter ligado um telemóvel para gravar o que é ou não dito, ou feito, dentro de uma sala de aula.
É um retrato de autêntica fraude sobre quem mais estimamos.
Os jovens, esses, só podem mesmo sentir essa desilusão precoce de quem está a ser severamente defraudado.
publicado no Diário Insular de Terça-feira, dia 27/10/2009