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Santa Cruz da Graciosa

quinta-feira, maio 31, 2012

Dá-me o microfone - Já!

Numa região democrática, que preza a diferença de opinião, que valoriza a diversidade e que aceita o contraditório, é essencial que não sejam estes propósitos apenas declarações vagas e circunstanciais mas que se pratique, a cada dia, em cada ocasião, em cada opinião, esse vigor democrático.
Vem isto a propósito de uma situação ocorrida há não muito tempo e que nos faz pensar sobre a genuína colocação de um cravo vermelho na lapela por parte de alguns governantes destes Açores autonómicos.
Através de um comunicado, o Conselho de Redacção da RTP Açores denunciou uma atitude de um Secretário Regional, Contente de seu nome, que em pleno directo televisivo retira o microfone à jornalista e começa a falar! De acordo com o comunicado, esta situação surge num assomo de ciúmes por a líder do PSD, Berta Cabral, ter aparecido no noticiário nacional a propósito das enxurradas que se abateram sobre S. Miguel. Diz ainda o tal comunicado que o governante socialista não queria que as imagens de Berta Cabral fossem enviadas para Lisboa e que, ele próprio, queria entrar em directo nos noticiários. Vai daí, cola-se à jornalista e, estando esta a realizar o seu trabalho, agarra-se ao microfone e começa a falar. O camera mantém o plano sobre a enxurrada e percebe-se pelo som a descrição denunciada no comunicado.
Bem sei que o senhor não se chama Relvas nem é ministro da república. Tão pouco tem a importância que ele próprio gostaria e sonha vir a ter após Outubro de 2012, mas é alguém que está numa cadeira do Governo vai para 16 anos e reflecte bem o estado de soberba no exercício de funções a que se chegou nos Açores.
Imagine-se o que seria se esta cena se passasse em qualquer democracia ocidental! O escândalo e os horrores que seriam ditos por aqueles que a cada 25 de Abril distribuem cravos vermelhos e recordam o Grândola Vila Morena importados para a alma açórica!
Viriam declarações de repúdio dos quatro cantos do mundo, dir-se-ia que estávamos perante um atentado à liberdade de imprensa, e arregimentavam-se cronistas em defesa da democracia pedindo a cabeça do governante. Mas por cá já pouco espantam estas atitudes de quem se acha dono de tudo,  de quem pensa que os lugares são para serviço do partido, de quem cuida que as vagas nos serviços da região são para ocupar pelos amigos, de quem arrebata o orçamento regional e os impostos dos açorianos para buscar reconhecimento eleitoral.
Foi pena não ter aparecido um qualquer telemóvel a filmar as cenas descritas. Certamente que seriam corridas pelas televisões e redes sociais denunciado o regime socialista dos Açores.

(publicado no Diário Insular e Rádio Graciosa)

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