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Santa Cruz da Graciosa

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Opinião

Milagre

Paradoxalmente, tornou-se confortável para quem governa os Açores poder atribuir os males do drama social que se vive, na região, ao processo de ajustamento do país.

De uma forma geral, vai havendo quem, nos Açores, pretenda que acreditemos que o modelo de desenvolvimento implementado na região gera a felicidade geral e que, por causa do empobrecimento do país, não se cumpre o paraíso atlântico.

Contraditoriamente, os 17 anos de gestão de milhares de milhões, em nenhum momento, conseguiram atingir indicadores sociais que superassem o continente.

Acrescente-se, por mero realismo, o facto de nos últimos anos, os da austeridade que arrasam a prosperidade de Portugal, não terem conseguido fazer os Açores aproximar-se das médias de um país sequestrado.

É, por isso, estranho, que se ande a dizer a uma região autónoma que a actual geração de jovens que entram na vida activa terá de imigrar para encontrar as oportunidades que, nos Açores, são consumidas pelo modelo de desenvolvimento assente num ciclo vicioso de dependência de apoios sociais.

Os Açores, da via do actual governo, complementam os fracos recursos de um largo número dos seus cidadãos e, apesar disso, continuam na cauda do país em termos do rendimento médio dos seus agregados familiares.

O Estado Regional apodera-se da economia e vai aglutinando a sociedade, mas o resultado é um desemprego que só tenderá a regredir à custa da imigração e de uns quantos programas ocupacionais.

E vamos, continuamente, sendo piores em conquistas sociais, revelando que a governação e gestão dos últimos 17 anos não foi capaz de tornar os Açores habilitados a eliminar as desigualdades em que vive o seu povo.

Mas se a simples realidade chocar contra quem vai gerindo e procurando sobreviver no poder, as fabulações são recorrentes.

Somos os melhores em tudo, apesar de apresentarmos os piores resultados!

Para quem tem o privilégio de governar uma região singular como os Açores, e a quem foram entregues meios nunca vistos, inundados de vantagens e oportunidades, é particularmente complicado demonstrar as razões para a persistência do insucesso do modelo a que chamaram "via", apoderando-se da alma "açoriana".

Tem restado a possibilidade de fazer render a massiva publicidade nacional contra o governo da república, aproveitando para colar os repetidos fracassos regionais à contestação generalizada a uma austeridade que, curiosamente, até foram os próprios que provocaram.

Porém, em contrapartida, insiste-se pela sustentabilidade deste modelo e consagra-se a sua própria perpetuação, apesar de manter níveis de pobreza e desigualdade inaceitáveis.

É algo que não tem explicação. E algo que não tem explicação só pode ser milagre.


(publicado na Rádio Graciosa, Diário Insular e Açoriano Oriental)

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