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quarta-feira, janeiro 28, 2015

O TOQUE DE MIDAS


http://psdacores.pt/2015/01/o-toque-de-midas-opiniao-de-joao-bruto-da-costa/


O Rei Midas, certo dia, encontrou vagueando Sileno, pai adoptivo de Baco, ou Dionísio, Deus do vinho e cuidou dele entregando-o ao filho bem tratado e salvo. Baco, como recompensa, disse a Midas que lhe pedisse o que quisesse. Midas pediu que em tudo quanto tocasse se transformasse em ouro. Baco, algo contrariado, concedeu o desejo e Midas passou a ter o toque do ouro!
O resto da história nem é muito para aqui chamada mas acaba com o arrependimento e a conversão acompanhadas pelo perdão.
Nos Açores não temos um Rei Midas, se bem que temos bastantes tesouros, mas temos o toque de um sistema que rivaliza com Midas na posição diametralmente oposta.
Em apenas 18 anos, o sistema maioritário do socialismo insular criou uma rotina que açambarca o nosso destino comum tocando em tudo e transformando tudo o que toca em valor negativo – mais ou menos o contrário do valor do ouro.
Nestes 18 anos multiplicam-se por mais que 10 o número que existia de empresas do sector público empresarial regional.
O sistema político maioritário passou a ter intervenção em todos os sectores de actividade, tendo uma relação de valor hierárquico com a comunidade nos seus mais variados domínios.
Para tudo lá está o Estado Regional, sempre representado por algum titular muito conceituado no seio dessa maioria.
Os titulares não são de modas, onde mandam, mandam! E onde tocam vão deixando a marca do que se tornou o socialismo dos Açores: em tudo quanto toca cria problemas!
É, portanto, o inverso do toque de Midas.
Mas a diferença para com o Rei, generosamente tratado por Baco, não se fica pela inversão do resultado do toque. Também nos Açores a história não dá como lição nem o arrependimento e muito menos qualquer espécie de conversão. Tem beneficiado de um perdão quadrienal, mas isso fica para a conversão e o arrependimento colectivo.
Ao contrário da lição de Midas – que angustiado por ter tornado em ouro a própria filha, entre outros dissabores, veio clamar a Baco que acabasse com o “dom” recebido – nos Açores os titulares do toque que tudo tem afundado na região recebem sempre o prémio do serviço a uma causa maior, mesmo que imperceptível, que procurou sempre segurar no poder um partido e uma maioria, estendendo um tentacular, e agora ruinoso, domínio da sociedade e das instituições.
Da SATA à Sinaga, passando pelos Casinos e Termas, das incidências do transporte marítimo, que vão da falhada construção de navios às tragédias humanas mais recentes. Das recomendações do Tribunal de Contas nunca cumpridas, às denúncias recorrentes da oposição. Dos avisos, das advertências, das PPP que vão onerar o futuro de gerações, até à falência da lavoura. Da ruinosa gestão nas pescas e dos recursos do mar ao afastamento entre o desígnio comum das nove ilhas. Dos PECA, PIT e demais planos e estratégias, em tudo isto e muito mais que levaria 18 anos a contar, não conseguimos encontrar qualquer arrependimento. Até pelo contrário, existe é orgulho e promoções dos titulares que nos trouxeram até aqui!
Já nem questiono o porquê de estarem os Açores a serem conduzidos a estes resultados, sem que alguém seja responsabilizado politicamente dada a inconsciência dos titulares que continuam convencidos de que um qualquer toque seu só pode melhorar o que qualquer entidade, mesmo que insondável, tem vindo a arruinar.
Os desafios para quem terá de reverter o toque do socialismo açoriano com 20 anos de governação serão, porventura, dos maiores que estas ilhas irão enfrentar.
Oxalá Baco nos perdoe!

Publicado em AO; DI; TC.f; Rádio Graciosa



O efeito dominó da Terceira - da debandada americana à falência da lavoura - Açoriano Oriental




O efeito dominó da Terceira - da debandada americana à falência da lavoura

A ilha Terceira encontra-se perante uma encruzilhada em que o futuro não se mostra nada risonho, sendo cada vez mais certo que se tem "afunilado" o leque de soluções para os maiores problemas que a ilha enfrenta, e com ela, é bom que não desvalorizemos, os Açores
O agora certo "downsizing" da presença militar americana será fortemente sentido na ilha e leva a que se tenha de olhar o futuro com horizontes bem abertos, pois as resoluções terão de ser muitas e urgentes, mas as soluções são cada vez menos e mais difíceis.
De pouco servirá concentrar esforços para encontrar responsáveis pela decisão dos Estados Unidos. Principalmente porque o verdadeiro responsável é, de facto, a administração americana e sobre esta há que fazer ver que a viabilidade de uma base na ilha Terceira depende da sustentabilidade económica da própria ilha, não se podendo admitir a permanência de uma presença militar estrangeira sem que isso seja assegurado.
Na verdade, de que nos servirá aceitar que uma potência militar estrangeira utilize o solo nacional para uma base militar, se esta base não garantir à economia da ilha onde se encontra vantagens significativas? No fundo é como dizer aos Estados Unidos que entre pouco e nada, talvez seja de preferirmos nada!
No entanto, quero crer que ainda haverá alguma forma de maximizar uma renegociada presença militar na base, mas para isso exige-se união de esforços e não apenas jogo do empurra.
A somar ao brutal impacto socioeconómico que se sucederá à ausência de Americanos na base e ao desemprego de portugueses daí decorrente, surge a muito anunciada falência da lavoura terceirense, apenas não associada à falência geral da lavoura dos Açores porque ainda há quem insista em fazer de conta que nada se passa e de que tudo se irá resolver, como que obra e graça do divino.
E perante a falência da lavoura o Governo dos Açores descobriu a pólvora: a solução parece que passa por produzir com qualidade, ou seja, conseguindo aumentar o valor do produto pela diferenciação da excelente qualidade desse produto.
Só por desfaçatez pode um Governo Regional, com anos de aviso sobre o que se iria passar em 2015, vir, agora, afirmar que perante a falta de soluções de produção competitiva, que não estudaram nem inovaram, querem que seja uma espécie de acréscimo de qualidade que irá pagar a já sentida redução do preço ao produtor. Como se não andássemos há anos a ouvir que o leite é de elevada qualidade nos Açores, que os seus derivados são os melhores do mundo, com queijos "gourmet" e eteceteras.
Mas, apesar dos muitos avisos ao Governo Regional de que apenas por dizerem que eram bons mas não obtendo capacidade de penetração em mercado e sem quantidade que "certifique" a qualidade propagandeada, não era a política correta para enfrentar o futuro, o Governo insistiu na política do "calar" preocupações com subsídios, muitas vezes mal direcionados ou apenas destinados à "festa" socialista da obra financiada e autorizada em troca de um punhado de votos e de simpatias políticas ocasionalmente necessárias.
O preço está agora a chegar, e não basta inventar mais um rótulo ou mais uma qualquer propaganda ao ego do produtor para o fazer feliz ou ter sucesso empresarial.
Com esta amálgama de problemas sofrerá, em primeiro lugar, a ilha Terceira e com ela sofrerão outras ilhas em efeito dominó, mas em especial a ilha Graciosa, que pela forte ligação socioeconómica que tem com a Terceira, e desde logo nas áreas agrícolas, terá mais este desafio para o futuro.•
*Publicado em AO; DI; Rádio Graciosa