Banhos de realidade
Na passada semana, dois acontecimentos deram-nos um "banho" de realidade que não podem deixar de merecer destaque.
Em visita oficial à ilha Graciosa, o PCP e o seu deputado regional, Aníbal Pires, constataram a paralisação da ilha como que a necessitar também ela de um plano de revitalização. Ou de um plano que ponha em prática os apregoados planos para a coesão.
Nas conclusões dessa visita, o deputado comunista denunciava e apontava as promessas não cumpridas, o adiamento de projetos, as mesmas queixas de sempre para com o isolamento, sim, ainda o isolamento, e o adormecimento que sente a economia da Graciosa perante uma governação que criou problemas em todo o lado, deixando tudo na ânsia de uma mudança.
Fiquei prudentemente à espera que, depois de alguma ponderação, o PS Graciosa ou Açores respondesse a tão graves acusações de mau governo dos Açores na ilha Graciosa, dizendo que "os cães ladram e a caravana passa"(!!!). Sim, porque o PS Graciosa costuma classificar assim quem o critica. Ou que dissesse que quem falava assim mal do Governo do PS não tem "credibilidade" ou sequer "reconheciam moral" para criticar! Sim, porque é habitualmente assim que se faz ouvir o PS na Graciosa, sempre certeiro na negação da realidade, sempre afoito na violência das palavras contra quem se atreve a dizer mal do enorme trabalho que os socialistas fizeram de ilhas como a Graciosa e a sua estagnada economia!
Mas não, até ver nada do PS da Graciosa, ou dos Açores, a dizer uma palavra sobre a visita estatutária do PCP à ilha branca. Talvez o façam ou estejam ainda a ver como fazê-lo para negar a evidência que quem, como o deputado comunista, vem anualmente à Graciosa e ouve os mesmos lamentos, as mesmas questões, os mesmos problemas e o seu agravamento, enfim, de quem constata que é mesmo verdade: o modelo do PS Açores falhou e está a esvaziar as ilhas e o seu futuro!
Talvez com o silêncio o PS ache que isto assim passa despercebido, e quando houver mais críticas por parte do PSD, aí sim, voltam ao comunicadozinho do costume! De que é tudo mentira, a Graciosa e os Açores respiram desenvolvimento e todos devem agradecer ao grande Governo e aos grandes líderes locais que o PS implanta para que tudo seja positivo no rosa, e negativo por culpa de outros.
Foi o primeiro banho de realidade!
É um facto que a coesão territorial foi abandonada há muito pelo modelo de governo do PS Açores, e a falta de coesão territorial acentua-se com o crescendo de falta de coesão social. São os Açores de hoje!
Nestes Açores de 2015, a via açoriana socialista gerou a maior pobreza do país, em conjunto com os piores indicadores sociais por regiões de Portugal.
Quando Duarte Freitas, no encerramento do Congresso do PSD se propôs governar os Açores para que a região seja capaz, em dez anos, de libertar 40 mil açorianos da pobreza, houve quem se espantasse com a grandeza do número. Mas haverá assim tantos pobres na região? perguntam!
Basta uma pequena análise dos rendimentos médios dos nossos idosos, procurar nos níveis de RSI ou de desemprego de longa duração e desemprego jovem, ou saber que mais de 70% dos agregados vivem com rendimento inferior a 530 euros por mês para não nos podermos espantar com o porquê de haver tanta pobreza nos Açores e da ambição de Duarte Freitas em assumir como grande objetivo político de um governo PSD após 20 anos de modelo socialista, retirar uma parte dos açorianos da pobreza que se instalou nos Açores!
Foi um segundo banho de realidade!•
* Deputado na ALRAA pelo PSD/A
A mudança para os Açores
Aquele pensamento, gasto e desajustado, de que um congresso partidário serve apenas para as discussões de lugares e negociações de supostos equilíbrios de pretensas sensibilidades levou um rude golpe, no passado fim de semana, na Ribeira Grande.
E o congresso do PSD demonstrou-o!
Discutiram-se propostas, discutiram-se ideias, falou-se do futuro com diagnóstico do passado, apresentaram-se diferentes visões dos Açores com foco em cada uma das ilhas e, dada a circunstância de estarmos a menos de dois anos de eleições nos Açores, escolheu-se o candidato a Presidente do Governo Regional; o líder do PSD Açores Duarte Freitas.
Alguns procuraram trazer ao espaço público outros assuntos, mas sem apresentar propostas ou sem participar ativamente no congresso, não parece exequível que a discussão que o PSD entende fazer possa ser encomendada por notícias mais ou menos obcecadas ou por comentários avulsos, também mais ou menos obcecados.
E a grande verdade que surge do Congresso do PSD Açores é de que o partido tem uma liderança segura e desejada pelos seus militantes, que pode dar aos açorianos a esperança de que os Açores possam realmente mudar quando, depois de 20 anos de PS no poder, temos sido sistematicamente notícia (notícia e não propaganda) pelos piores motivos em termos do desenvolvimento humano mensurável por indicadores sociais e económicos.
O Congresso do PSD Açores assumiu firmemente que isto não pode continuar. Se em 1996 o PS enchia a boca com o facto de 20 anos serem tempo demais no poder e vínhamos de um desenvolvimento humano que tinha retirado as pessoas e as ilhas de um marasmo de isolamento e miséria, agora, depois de milhares de milhões de euros enviados para os Açores, fica provado que se 20 anos de poder é muito tempo, os miseráveis resultados do PS no poder quando se avalia o desenvolvimento humano comprovam-no.
E a tragédia social nos Açores revela-se na violência doméstica, nos abusos sexuais de crianças, no alcoolismo, nos mais de 36 mil Açorianos sem médico de família, nos milhares de desempregados e de jovens que abandonam o ensino precocemente, nos números do RSI e da pobreza que se revela em 70% dos agregados familiares viverem com menos de 530 euros por mês.
Em tudo isto e, infelizmente, em muito mais, os Açores lideram.
Para onde foi tanto dinheiro se não serviu para deixarmos estes dados que nos envergonham?
Esta questão, paradoxalmente, responde de forma cabal a duas certezas. A primeira é de que quem não conseguiu em 20 anos usar os recursos que tinha para melhorar a vida dos açorianos, não serve para enfrentar os dramas que se vivem nos Açores. A segunda é de que quando o PS de António Costa contrata Sérgio Ávila para ensinar como se faz, sentindo-se orgulhoso na governação dos Açores, isso apenas resulta da propaganda com que o PS encara o exercício do poder.
Se ser a região em que as pessoas foram quem menos beneficiou com 20 anos de poder socialista é exemplo para alguma coisa, é para a necessidade de pôr termo aos desvarios de uma elite rosa em roda livre.
O Congresso do PSD Açores mostra a preparação de Duarte Freitas e do partido para enfrentarem o futuro.
As propostas aprovadas e assumidas pelo líder do partido são resultado de muito trabalho e de muitos contributos do Conselho Consultivo de Independentes, em que a sociedade civil trouxe para o PSD Açores soluções para os problemas que nos assolam.
Por isso este congresso quebra dogmas, o PSD ouviu os açorianos, e os açorianos merecem uns Açores melhores.
* Deputado na ALRAA pelo PSD/A
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