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Santa Cruz da Graciosa

quinta-feira, outubro 29, 2009

Defraudados

Mal vai o ensino quando os alunos não são a principal fonte de preocupação e de atenção.
Há alguns anos, foi decidido abrir novos cursos profissionais na ilha Graciosa. De entre eles destacavam-se os cursos de Higiene e Segurança no Trabalho e o de Turismo.
A todos esses jovens que tinham pressa em obter uma especialização e que ansiavam iniciar uma profissão, foram garantidas colocações e certificações.
Mas se essas promessas foram feitas, com o tempo foram esquecidas. Este tornou-se um caso onde vinga o trivial slogan: "compromisso assumido, compromisso esquecido!".
Se por um lado, os formandos do curso de Turismo foram confrontados com a redução para pouco mais de metade dos prometidos empregos no novo Hotel da Graciosa, que o Governo não soube incentivar para esse propósito, por outro lado, no curso de Higiene e Segurança no Trabalho, nem sequer houve o cuidado de garantir a sua certificação.
Não fora os alertas em tempo útil, e os alunos terminariam esse curso "apenas" com a respectiva equivalência ao 12º ano. É que, quando se inicia uma formação profissional, se não a quisermos menorizar, conta-se que no final o formando esteja apto, e devidamente "certificado" para o desempenho de uma profissão.
Mas assim não sucedeu.
A solução, ao melhor estilo do "não rima mas encosta", foi fazer deslocar, um dia destes, os alunos para outra ilha, para assim obterem a respectiva certificação.
Não deixa de ser caricato que se afirme que os alunos em nada saem prejudicados, pois terão todas as despesas pagas e que, por isso, não haverá qualquer transtorno. É obvio, se descontarmos a ausência de casa, o ficar longe da família e dos amigos, e todos os constrangimentos de sair da sua ilha para completar um curso que devia começar e acabar ali, ao virar da esquina, pois, claro que não haverá quaisquer transtornos. Descontemos, também, que as despesas serão todas pagas pelos cofres da região, que é como quem diz, pelos contribuintes, que continuam a assistir a uma recorrente e inominada incompetência pública.
Mal vai também o ensino nesta nossa Região quando uma qualquer queixa sobre um comportamento reprovável de um profissional de uma escola tenha de ser apresentada por escrito. Talvez seja hora de reflectir sobre as consequências de alguém não ter ligado um telemóvel para gravar o que é ou não dito, ou feito, dentro de uma sala de aula.
É um retrato de autêntica fraude sobre quem mais estimamos.
Os jovens, esses, só podem mesmo sentir essa desilusão precoce de quem está a ser severamente defraudado.

publicado no Diário Insular de Terça-feira, dia 27/10/2009

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