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Santa Cruz da Graciosa

quarta-feira, abril 21, 2010

O discurso da oposição

À procura da sucessão, assistimos a um discurso de Carlos César no encerramento do Congresso do Partido Socialista em que o fim de ciclo é apresentado como um novo ciclo com grandes propostas e renovadas mudanças.
Não deixa, certamente, de ser um grande incómodo para o Presidente do PS ter de apresentar as propostas que vem negando quando apresentadas pela oposição.
A virtude do renovado discurso de Carlos César é o reconhecimento de que o seu tempo passou, o próprio assinala isso com a redobrada vontade de mudar tudo o que fez e passar, agora e a correr, a fazer o que o PSD tem proposto.
Mas é uma virtude perene se atendermos a que não se sustenta num pensamento consolidado sobre o modelo de desenvolvimento dos Açores, apenas e só, vai reconhecendo amiúde as virtudes do defendido pelos outros ao longo dos anos.
É uma obvia constatação de insucesso, apesar de estar recheado de pequenas histórias de feitos que, afinal, servem para comprovar a excepção.
De entre a encapotada tentativa de apresentar problemas graves em embrulho rosa e renovado, escapam dois momentos de pura demagogia.
Desde logo, César acha que a pobreza dos Açores é saudável e procura a inclusão. É saudável porque apoiada e inclusiva, porque há a noção de apoiar quem carece. E critica quem, na oposição, diz que temos pobreza a mais e apoiamos pobres a mais. Então e não é isso mesmo? Numa região com tanto sucesso, onde é que se falhou para termos necessidade de apoiar tantos pobres numa lógica previdencial em contradição com a propalada lógica inclusiva? Na verdade, César sabe que temos muitos pobres, porque não conseguiu combater a permanência dos pobres na pobreza.
Foi pura demagogia querer diferenciar a pobreza e o apoio social para a combater!
Assim como o foi quando se quis transmitir um resultado altamente positivo de uma governação de 14 anos e ao mesmo tempo se declara a necessidade de alargar a sete das nove ilhas dos Açores os mecanismos de apoio excepcional para uma maior coesão.
As eloquentes e nada inocentes citações poéticas marcaram um discurso inventivo o bastante para esconder uma realidade. A de que o PS procura na oposição as ideias e as orientações para um futuro mais promissor.
É a ironia geral! A sucessão para o novo ciclo é o projecto político do PSD e das propostas que apresenta e que, nos sucessivos governos do PS, não foram acolhidas.
A acrescer resulta, também, num hino à demagogia apresentar uma subida do PIB que, afinal, é menos de um por cento ao ano, se pensarmos nos milhões que chegam a toda a hora dessa Europa solidária e que apenas pede que se gaste onde se diz que vai gastar!

Publicado no Diário Insular em 20/04/2010

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