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Santa Cruz da Graciosa

quinta-feira, junho 05, 2014

Opinião: "O que seria de nós"

O PS viveu recentemente um dos piores momentos da sua história. Não me refiro ao facto de - depois de uma vitoria eleitoral - o seu líder passar a desprezível pelas urdiduras palacianas do nosso socialismo burguês. Refiro-me ao voto a favor de uma moção de censura à Europa, à União Europeia, ao Euro, ao Governo, e ao próprio PS.
Perante a esperteza do PCP, que montou mais uma armadilha ao PS, este demonstrou a incapacidade de tomar decisões difíceis, como seria uma abstenção na moção de censura, preferindo "ir na onda" e aproveitar mais uma oportunidade de "malhar" no Governo.
Por aqui ficamos a saber, para além de quaisquer dúvidas, que se um dia voltarem ao governo e perante alguma coragem política e firmeza em tomar decisões difíceis, que em última análise sejam uma necessidade de Portugal, o PS ficará pela decisão mais cómoda, menos contestável e mais popular, ainda que isso possa fazer o país vir a ter maiores dificuldades no futuro.
Os últimos 3 anos foram de extremo sacrifício para os Portugueses. O país conseguiu cumprir com as suas obrigações graças aos grandes sacrifícios que o povo português tem sabido ultrapassar.
De nada serve aos socialistas dizerem que estamos piores quando agora conseguimos financiar o país e as suas necessidades, quando o país gasta mais com o Estado Social do que o faziam os governos do PS, de nada servirá dizerem que estamos perdidos quando a verdade é que os sacrifícios que foram feitos foram os necessários para que Portugal pudesse voltar a ter credibilidade junto de quem nos empresta o dinheiro para vivermos.
Os tempos recentes têm demonstrado que o PS não será capaz de dar continuidade à recuperação de Portugal. Por um lado, porque no PS cada um está é preocupado com o lugar que vai ter junto das simpatias do seu grupo de influência, discutindo o carisma e a popularidade dos seus membros, como se a embalagem valesse mais do que o conteúdo!
Por outro lado, a falta de personalidade política que leva a votar contra, só para poder estar na onda de contestação, mesmo não concordando com o conteúdo, faz-nos ter a certeza de que se chegassem ao governo não seriam capazes de lidar com momentos mais difíceis que possam aparecer pela frente ao país.
Imagine-se se tem sido o PS a ter o encargo de gerir o programa da Troika, em quantos resgates já não iríamos ou então já teriamabandonado o pântano.
É algo que hoje importa que cada um se questione: como seria se o PS tivesse de ter tirado Portugal da bancarrota? Quantos recuos já teriam sido feitos? Teria Portugal terminado o programa de ajustamento ou estaríamos ainda a discutir um segundo ou terceiro resgate?
E depois de sabermos que hoje, por certo, o país estaria a braços commuito mais dificuldades olhamos para esse mesmo PS que colocou Portugal de mão estendida e apenas vemos a preocupação de ter o poder, para repetirem tudo de novo, porque um partido cuja prioridade é discutir a popularidade do seu líder, facilmente irá deitar a perder os grandes sacrifícios que se fizeram.

(Rádio Graciosa, Açoriano Oriental, Diário Insular)

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