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Santa Cruz da Graciosa

quarta-feira, agosto 27, 2014

Opinião: Um refúgio no RSI



Os números divulgados para o mês de Julho de beneficiários do RSI vieram novamente dar destaque aos Açores, com uma nova subida, e, novamente, com mais de 18 mil Açorianos a necessitar de um apoio para poderem minorar os efeitos da sua condição de pobreza.

Os Açores assumem-se, por mais uma vez, como a região do país onde o RSI se revela mais importante para combater a precariedade e as dificuldades por que passam muitas famílias.
À frente do distrito de Setúbal, que apesar dos seus mais de 800 mil habitantes e de tradicionalmente ser a terceira região do país com mais beneficiários do RSI mas que desde há alguns meses foi ultrapassada pelos Açores, logo a seguir ao Porto e Lisboa, e mesmo com o maior rigor nos critérios de atribuição daquele apoio social, a região há mais tempo governada por maiorias socialistas continua a revelar toda a fragilidade do seu tecido económico e social que não obteve condições para sair de um ciclo vicioso de pobreza.
O RSI continua assim, e, actuamente com maior rigor, a ser o refúgio de muitos açorianos a quem, ora porque acabou o subsídio de desemprego, ora porque continua à espera de um primeiro emprego, ora porque, simplesmente, não se afigurou outra forma de ir levando os dias, muitas vezes atrás de um natural mas, repetidas vezes, complexo pensamento: o de alimentar os filhos!
Em torno desta incapacidade de largar a rotina de pobreza, à qual são sujeitos muitos açorianos, está a forma como se tem levado pela frente o combate às desigualdades, muitas vezes mais motivado pelo retorno da solidariedade, quase sempre em forma de voto, e nem sempre olhando nos olhos de quem leva a vida de mão estendida porque faltam as oportunidades.
Em tempos, não muito longínquos se atendermos ao ciclo socialista regional, festejava-se o RSI. Como se se tratasse de um motivo de celebração a caridade de dar um pouco a quem nada tem e ainda exigir uma espécie de gratidão pela suposta bondade!
Para além de que era festa feita à custa de apoio alheio, pois a totalidade do RSI é verba que, desde sempre, sai directamente do Orçamento de Estado.
Hoje, talvez mais envergonhados por um Estado Social exigente em termos orçamentais ser sinónimo de sociedade carenciada, o RSI é mais encarado pela sua natureza de apoio à sobrevivência e continua a revelar o quanto os Açores andaram sem conseguir dizer a tão grande percentagem dos seus cidadãos como deixar esse ciclo de dificuldades que vão permanecendo, apesar de tudo o que em contrário se vai continuando a ouvir por parte do poder regional.
E, se é certo que o ciclo de pobreza a que muitos açorianos estão entregues resulta da falta de oportunidades que não surgem pela incapacidade de implementar nos Açores um modelo económico que deixe de ser sustentado pela caça ao voto, mais certo é de que muitos dos nossos concidadãos necessitam de contar todos os cêntimos do RSI para poder levar o seu dia-a-dia.

Se tivermos em conta que a actual situação dos Açores exige maior atenção a quem passa por maiores dificuldades, mesmo sabendo-se que não são os paliativos de cariz assistencialista que por si só resolvem o nosso problema de fundo, temos necessariamente de defender a importância de apoios como o RSI.

(Diário Insular/Rádio Graciosa/Açoriano Oriental)

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