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Santa Cruz da Graciosa

quarta-feira, novembro 19, 2014

Os maiores de sempre no pior – Opinião de João Bruto da Costa

Os maiores de sempre no pior – Opinião de João Bruto da Costa



Em breve, serão discutidos e votados na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores as Grandes Opções do Plano e Orçamento Regional para 2015.
O anúncio do Governo Regional foi solene e expedito: o Plano e Orçamento de 2015 serão os maiores de sempre!
Tem sido invariavelmente assim, todos os anos somos brindados com mais um Plano e Orçamento maior do que no ano anterior.
Com o Governo Regional a desdobrar-se em explicações que serão maiores os números do que no ano anterior, somos levados a pensar que tudo corre de feição nos Açores que, pelos vistos, criam riqueza em crescendo, aumentam exportações, criam emprego e empresas, e a dinâmica económica permite que a pujança da economia regional acoberte um Orçamento maior e um Plano ainda maior que consagre toda esta pantomina em que vivemos nos Açores.
Na verdade é disso que se trata; uma pantominice em crescendo com uma mitomania que leva a termos sempre anúncios de milagres económico-sociais que ninguém vê e que ninguém sente. Ou se calhar até alguns sentem, mas esses estão bem acomodados na cortina de interesses que se move em redor do poder na região.
A realidade é outra, e bem menos grandiosa do que nos é pintada, de ano para ano, na arte de engalanar números num documento que, cada vez mais, serve apenas os interesses eleitorais do partido do poder nos Açores.
E a realidade foi-nos trazida, ainda na passada semana, pelos números do desemprego relativos ao 3º trimestre de 2014 em que os Açores contam com a maior taxa de desemprego por regiões e estão já bem acima da média nacional.
A tragédia do desemprego não tem sido enfrentada pelo poder regional com verdadeira vontade de levar os Açores para outros patamares de desenvolvimento, muito pelo contrário, está provado que não basta ao Governo Regional nomear uma catrefada de tarefeiros para verificar dados e introduzir valores em programas informáticos que resolve o verdadeiro problema da região nem tão pouco consolida qualquer modelo de desenvolvimento que crie, verdadeiramente, emprego.
Com o desemprego vem uma nova pobreza, acentuada pela impreparação dos novos pobres de enfrentar essa condição de falta de recursos. Uns pela vergonha social, outros pela incerteza do dia seguinte, são cada vez mais aqueles que desesperam à espera que a “via açoriana” (há tanto tempo que ninguém no Partido Socialista fala dela) cumpra uma qualquer agenda para o emprego. Mas, infelizmente, a realidade não é a dos quadros cor-de-rosa do poder regional.
E é por vergonha que já não falam nem da “via açoriana” nem das “agendas” e dos “balcões” que prometeram no início desta legislatura como sendo o novo paradigma do poder socialista regional de um governo chamado de “novo”, mas cujos métodos estão cada vez mais velhos e gastos.
Infelizmente, é a realidade que desmente este poder regional. De nada serve apresentarem sempre mais e melhor, se o seu historial é sempre menor do que diziam e pior do que devia!
Teremos, de novo, o maior Plano e o maior Orçamento, mas sempre com os piores resultados e com os maiores insucessos sociais.
É o socialismo Açoriano, em que tudo será maior e melhor no papel, mas em que a realidade não podia ser mais preocupante, com os piores resultados no desemprego, na pobreza, no abandono precoce da escola, etc., etc.
Nisso conseguem ser os maiores!


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