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Santa Cruz da Graciosa

quinta-feira, dezembro 04, 2014

Orgulhosamente - Açoriano Oriental


Orgulhosamente

Em 1965, num discurso à nação, Salazar, Presidente do Conselho na ditadura do Estado Novo, proferiu uma expressão que se viria a celebrizar e que de algum modo simbolizaria a política externa portuguesa e a relação de Portugal com o colonialismo.

O "orgulhosamente sós", traduzia a forma como a ditadura via a presença ultramarina portuguesa, especialmente em África.

Não vou aqui estender grandes considerações sobre os significados que a expressão veio a assumir no contexto da época, mas a sua permanência no tempo leva-nos sempre a associar o "orgulhosamente sós" a práticas pouco democráticas, ou a posições pouco destinadas a gerar consensos, que, na política actual, são essenciais para a prossecução do interesse colectivo.

Por vezes damos connosco a associar, ainda que de forma quase inconsciente, a posição política de determinadas pessoas, comportamentos ou formas de actuar, com o "orgulhosamente sós" fruto uma certa arrogância governativa.

Não querendo fazer uma associação directa com a ditadura colonialista que originou a expressão de Oliveira Salazar, há hoje certas formas de relacionamento com as oposições ou com as minorias que nos levam a pensar em certas práticas - como uma forma de agir baseada num tique de falta de democraticidade - a que se podia colar a expressão e dizer que determinado poder age "orgulhosamente só"!

Talvez por isso quando, na passada semana, se discutiu e votou o Plano e Orçamento Regional para 2015, a certa altura, demos com um poder regional a desferir um ataque sem precedentes ao maior partido da oposição, chegando ao arrepiante modo de se dirigir à oposição parodiando sobre as propostas que esta apresentava, troçando do seu conteúdo, sem olhar quer ao efeito prático que essas propostas poderiam gerar, ou sequer ao respeito democrático que deve sempre merecer o maior partido da oposição que, quanto mais não seja, representa uma grande fatia da sociedade.

Perante a necessidade de ajudar aqueles que mais sofrem numa sociedade em que a pobreza atinge valores inimagináveis para uma Europa desenvolvida, ainda que não se concorde com os aumentos sugeridos pelo PSD para os complementos de pensão (que apenas tem sido actualizado ao nível da inflação) e de abono de família (que nem sequer vê nos últimos anos ser feita essa actualização), ou mesmo que se entenda que não se deve criar um complemento para as crianças e jovens em idade escolar que estão no extremo dos mais carenciados e, por isso beneficiam do RSI, será de todo inaceitável que a luta partidária leve o Presidente do Governo e o líder parlamentar da maioria a parodiar e a troçar com as propostas do PSD que visavam ajudar estes Açorianos que sofrem com as dificuldades do dia-a-dia.

Se há algum limite para o respeito democrático ele foi completamente ultrapassado pela forma despropositada como foram adjectivadas as propostas apresentadas para ajudar quem mais precisa.

Talvez esse despudor seja provocado pela contrapartida que se exigia para que estas propostas pudessem ser aprovadas e que era a utilização em benefício destes açorianos da verba destinada à já malfadada "casa da autonomia". Um capricho do regime insular que reserva 3 milhões de euros para um entretenimento de luxo.

O PS votou sozinho o Plano e Orçamento para 2015.

Talvez por isso tenha visto numa rede social uma publicação de uma jovem deputada regional, que - ilustrando uma fotografia da presença de alguns Socialistas Açorianos no Congresso Nacional do PS escreveu: "Orgulhosamente Socialistas".

* Deputado na ALRAA pelo PSD

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