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Santa Cruz da Graciosa

sexta-feira, maio 02, 2014

Opinião - POA: Pib Ou Açores

No dia 27 de Novembro de 2007 afirmava Carlos César, então Presidente do Governo, aquando da discussão do Plano e Orçamento dos Açores para 2008: "Nós sabemos que se concentrarmos, até que fosse só o investimento público, ou o apoio ao investimento privado, exclusivamente em áreas com maior ou menor capacidade, de economia de escala, de economia de aglomeração, ou em determinados tipos de investimentos em São Miguel, em Ponta Delgada, na Ilha Terceira e deixássemos o resto por sua conta, nós tínhamos melhores resultados no PIB, mas tínhamos piores resultados no bem-estar e na qualidade de vida dos açorianos. E essa é uma opção consciente da política do Governo. Repito: enquanto for preciso lutar para criar condições de vida, condições de actividade económica regular, condições de bem-estar nas nossas ilhas dos Açores, enquanto for preciso ter um sobre esforço em ilhas como no Corvo, Flores, Graciosa, São Jorge e Santa Maria, pois devemo-nos concentrar aí e o PIB que espere. O PIB que espere! Eu não quero é que os açorianos esperem muito em alcançar o bem-estar e a qualidade de vida que eu ambiciono para a minha terra."
Ao seu lado, Vasco Cordeiro, então Secretário Regional da Presidência, retorquia: "Muito Bem"!
Pois bem, o PIB continua à espera e, contraditoriamente ao que afirmava César, as ilhas que mais necessitavam de um esforço do Governo continuam sem ver resultados desse suposto esforço. Ou melhor, estão piores, mais desertificadas, com um tecido económico mais frágil e com mais problemas sociais e económicos.
O PIB esperou e as ilhas desesperaram!
Agora, em 2014, a discutir o que queremos com os milhões disponíveis da Europa até 2020, vem o Vice de Vasco Cordeiro dizer que quer atingir um PIB de 80% a 84% da média europeia.
Certamente que Vasco Cordeiro volta a dizer: "muito bem"!
A pergunta que se impõe é se o actual Governo Regional desistiu de desenvolver todas as ilhas para se concentrar em fazer crescer o PIB dando corpo à tese de César, ou se, por outro lado, estamos apenas perante mais uma declaração vaga e sem sustentação por parte do Vice de Vasco Cordeiro?
A verdade é que quer seja pela tese de César, quer seja pela vacuidade da afirmação de Sérgio Ávila, os Açores vão continuar na presente legislatura a assistir a um Governo cada vez mais incapaz de encontrar o rumo do desenvolvimento e do crescimento económico.
Se a afirmação de Sérgio Ávila já só merece o crédito do Vice-Presidente e que é nenhum, já o possível alinhamento com a tese de Carlos César - de que se pode fazer subir o PIB investindo apenas em S. Miguel e na Terceira encerra o perigo de as restantes ilhas continuarem a definhar e a arrastar consigo todos os Açores.
O que este PS e o seu Governo Regional, com vícios e teses erradas já com 18 anos de poder, ainda não perceberam é que o seu modelo de desenvolvimento baseado no estrangulamento e controlo da sociedade, das instituições e da economia levará a mais um quadro comunitário de muito desperdício e poucos resultados.

(Rádio Graciosa; Diário Insular; Açoriano Oriental)

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